Revisitando os melhores jogos da eShop do 3DS

O Nintendo 3DS foi lançado originalmente um pouco mais de 5 anos atrás, com o objetivo de continuar o sucesso do Nintendo DS em um mercado cada vez mais conectado e com usuários acostumados a jogar pequenos títulos em seus celulares. Se o DSiWare não foi uma plataforma de grande relevância, o WiiWare do igualmente bem sucedido Wii encontrou público e lançou vários clássicos. Como uma store front muito mais amigável e uma maior liberdade de produção às produtoras independentes, o eShop do 3DS expandiu as possibilidades para seus usuários.

Assim como fiz com o serviço WiiWare, hoje lanço uma análise dos meus dez jogos favoritos da eShop que podem ser baixados para o 3DS.  Não estou incluindo produtos retail disponíveis no serviço assim como a linha Virtual Console ou relançamentos 3D.

Dillon’s Rolling Western

Uma das tentativas da Nintendo de criar uma nova franquia portátil, “Dillon’s Rolling Western” foi produzido pela japonesa Vanpool em cooperação com a gigante dos games. É um jogo de defesa de torre com um twist tridimensional interessante. Você controla Dillon, um tatu caubói (?!) que vai de cidade em cidade atrás de missões. Essas missões geralmente envolvem monstros de pedra que querem roubar bens preciosos de lá. Cabe a Dillon rolar pelo terreno ao redor de cada cidade e defendê-la dos ataques, com o auxílio de torres que você pode construir em locais específicos.

Cada partida começa com um tempo limitado para o jogador explorar o cenário atrás de recursos e construir as torres. E procurar alguns segredos também, claro. Durante o pôr do sol os monstros aparecem e você deve evitar que eles cheguem perto dos muros da cidade. Cada monstro pode ser derrotado pelas torres, mas melhor não ficar a cargo da sorte. O jogador pode enfrentar cada inimigo pessoalmente em uma arena de combate em tempo real. Essa enorme variedade de gêneros mescla-se muito bem e as fases tem uma dificuldade crescente que introduz novos desafios e inimigos. O jogo recebeu uma sequência com o subtítulo “The Last Ranger”, que pouco inovou ao jogo em si. Se você gostar do primeiro, vale à pena experimentar o segundo.

Gunman Clive

Desenvolvimento por uma única pessoa, Bertil Hörberg (assinando pela sua produtora Hörberg Productions), “Gunman Clive” é um simplório e baratíssimo jogo de tiro 2D inspirado no clássico cult “Sunset Riders” do Super Nintendo. Além do visual estiloso que funciona muito bem com os gráficos 3D, o jogo tem fases simples, jogabilidade precisa e a garantia de uma boa dose de diversão por algumas horas. Longe de ser um clássico marcante, merece muitos elogios pelo simples fato de ser bastante divertido.

Recebeu uma sequência em 2015, “Gunman Clive 2”, que é superior em todos os aspectos. Mais um personagem para jogar, maior variedade de cenários e inimigos, algumas sequências de plataforma mais criativas. Mas se for para recomendar algum, acho melhor começar pelo primeiro. A experiência com o segundo jogo cresce quando você percebe o quanto eles evoluiu em relação ao primeiro, ao focar naquilo que já era bom.

Fluidity: Spin Cycle

Sequência de um dos meus jogos favoritos do WiiWare, “Fluidity: Spin Cycle” é essencialmente o mesmo jogo que o anterior, no aspecto de você controlar uma bocado de água e ir navegando por cenários bidimensionais para resolver enigmas. O foco dos controles é a movimentação do giroscópio do 3DS, que funciona de maneira similar ao motion control do Wii remote. Por conta da portabilidade do novo sistema, as fases deste Fluidity estão muito mais fluidas (sem trocadilho), já que agora fica possível você girar o cenário inteiro em 360º. E sem a necessidade de ficar de cabeça para baixo por conta disso.

Algumas coisas o jogo não faz tão bem. O antecessor tinha um certo aspecto open world, já que cada fase era na verdade um livro em que você ia livremente escorrendo pelas páginas, atrás dos seus objetivos. Agora as fases estão delimitadas a cenários específicos e mais limitados. Algumas fases inclusive tem ambientes curtos, de apenas alguns quadros, mais focados na resolução de enigmas que envolvem a completa exploração do cenário em todas as direções. Fãs do jogo original não podem perder, mesmo que a portabilidade tenha promovido uma experiência menos variada. Ainda assim, um belo e inusitado jogo.

Mutant Mudds

Desenvolvido pela (agora finada) Renegade Kid, “Mutant Mudds” é um simples jogo de plataforma 2D que lembra um pouco alguns clássicos antigos. Sua jogabilidade é simples, seu personagem apenas pula e atira. Os inimigos são pouco variados também. Mas o level design é criativo e faz um excelente uso da função 3D do console, o que o torna uma experiência que na verdade só tem sentido mesmo de ser testada no 3DS – o jogo está disponível para outras plataformas.

O jogo envolve você controlar seu personagem por curtas fases, derrotando inimigos e tentando coletar 100 estrelas até o final. Coletar essas estrelas não é necessário, mas serve para destravar fases secretas. Durante as fases seu personagem pode pular através da profundidade da perspectiva bidimensional. Ou seja, mais perto ou mais longe da tela. O efeito é legal, funciona muito bem com o 3D ligado, e é a filosofia essencial da maioria dos desafios do jogo. “Mutant Mudds” não é uma pérola, mas vale experimentar. É a prova de que ideias simples podem ser muito inteligentes.

Pokémon Shuffle

Lançado em época que a Nintendo começa a experimentar com o mercado free 2 play (ou free 2 start como ela prefere chamar), “Pokémon Shuffle” é o mais novo clone do fenômeno dos celulares “Candy Crash Saga”. Com um diferencial: é bom. Sim, a Nintendo teve a audácia de fazer um clone de um jogo medíocre, mas ao menos se deu ao trabalho de levar a ideia a algo além. No mesmo sistema match 3, você deve formar linhas de Pokémons para criar combos e passar de fase, que envolve derrotar algum Pokémon específico. Ao final dela, dependendo do número de movimentos que ficaram faltando, você tem mais chances de capturá-lo.

O diferencial entra aí: Pokémons capturados podem ser levados para novas fases (e evoluídos também, aumentando seu ataque). Portanto não é apenas uma overdose do mesmo cenário, mesmas ações e mesma estratégia. Cada fase requer uma combinação diferente de Pokémons e, se você tiver os melhores, tem mais chances de derrotar. Alguns monstrinhos – os mais raros! – só são encontrados em desafios semanais, disponíveis online. O jogo é gratuito, mas você só pode jogar cinco partidas de graça a cada certo tempo. É completamente possível gastar dezenas de horas neste jogo, capturar inúmeros Pokémons e não usar um único dólar. Apesar das fases frustrantes, visivelmente feitas para lhe incentivar a comprar itens com dinheiro real, “Pokémon Shuffle” ainda assim é bastante possível de ser jogado de graça. E é divertido também, veja só!

Shantae and the Pirate’s Curse

“Shantae” é um clássico perdido do Game Boy Color (evidentemente reencontrado graças ao Virtual Console). Após não vingar como franquia no início dos anos 2000, estava fadado ao esquecimento. Mas foi salvo pelo advento da distribuição independente de jogos com temática retrô. Sua sequência, “Shantae: Risky’s Revenge” saiu para download no DSi e é considerado um dos poucos jogos imperdíveis da plataforma virtual do portátil anterior da Nintendo.  O terceiro jogo da franquia, “Shantae and the Pirate’s Curse” é, de longe, o melhor.

Um simples jogo 2D inspirado na jogabilidade de Castlevania, com um certo elemento de Zelda aqui e acolá. Você controla a gênio Shantae através de cenários separados por ilhas e usa seu cabelo como “chicote” (!!) para derrotar os inimigos. Shantae adquire poderes e novas habilidades conforme avança pelo jogo. Cada ilha tem uma dungeon com chefe final para você enfrentar. O jogo não é particularmente longo, mas é uma divertida jornada do início ao fim. Imperdível para fãs de jogos antigos com elementos modernos.

Shovel Knight

Inspirado em clássicos da Era 8-bits, como uma mistura de Mega Man e Castlevania (com uma pitada de “Duck Tales”), “Shovel Knight” é talvez um dos maiores clássicos dos últimos anos. E o fato de ser produzido pela indie Yacht Club Games diz muito de suas qualidades. Assim como “Mega Man 9” no WiiWare, este jogo – que também está disponível para muitas outras plataformas – joga como se fosse um pérola perdida do Nintendinho, lançada com 30 anos de atraso. O jogo nasceu no Kickstarter, mas ganhou um público muito além dos seus investidores iniciais.

“Shovel Knight” tem humor e charme, mas seu diferencial está no level design, tão criativo e bem elaborado quanto os grandes clássicos da Nintendo, Capcom e Konami de antigamente. Cada fase tem seu estilo, seus inimigos e desafios próprios. O jogo, apesar de curto, nunca perde o ritmo. E irá lhe convidar a jogar mais vezes, da mesma forma que você nunca largava Contra ou Ninja Gaiden antigamente. A trilha sonora também é muito boa, os gráficos são perfeitos dentro do estilo e a produtora ainda lançou novos conteúdos via download gratuitamente – que incluem novos personagens com sua própria campanha. Para o 3DS o jogo inclui função Streetpass para você desafiar estranhos. Em suma: uma pérola que não só é um dos melhores jogos do eShop, como do 3DS e de toda a década 2010.

Steamworld Dig

Desenvolvido a partir de um conceito similar ao clássico “Dig Dug”, em “Steamworld Dig” você controla um robôzinho que deve sair cavando um poço atrás de minerais. As fases são geradas aleatoriamente (portanto nunca se repetem em novas partidas) e vão ficando com novos elementos a cada nova etapa – ou mundo. Novas habilidades vão lentamente expandindo as possibilidades de desafios e logo um simples jogo de “cavar” se torna uma aventura com elementos de puzzle bastante criativa.

O conceito é simples, mas funcional. E por ser um jogo que pode ser terminado em poucas horas, há o convite para jogar novamente e tentar superar seu recorde de coleta de minerais e tempo. Apesar de toda a simplicidade, “Steamworld Dig” é extremamente bem feito e foi um dos primeiros grandes hits da eShop, dando boa fama à produtora Image & Form.

Steamworld Heist

Sequência indireta de “Dig”, “Steamworld Heist” é uma ideia completamente diferente ambientada no mesmo universo. Você controla novamente um robô (na verdade uma robô) em um ambiente inspirado no faroeste, só que agora direto no espaço. As fases são novamente geradas aleatoriamente em cada partida e seu objetivo é também explorar o cenário atrás de loot e ganhar pontos para evoluir seu personagem. Mas as similaridades param por aí, pois o gameplay central é completamente diferente.

“Heist” é um jogo de ação em turnos. Você movimento sua equipe (inicialmente apenas a robô Piper, mas logo você contrata outros) e a posiciona no cenário bidimensional, se escondendo atrás de objetos para se proteger durante o turno dos inimigos. Uma enorme variedade de armas lhe permite atirar na hora do ataque com diferentes técnicas por robô, mas os variados inimigos não são apenas peças de tiro ao alvo. A inteligência artificial do jogo é bastante avançada e irá lhe trazer bastante desafio nas dificuldades mais avançadas. O jogo tem uma dinâmica ágil e muito inteligente, além de uma boa trilha sonora e uma longa campanha principal. Independente de você ter jogado “Dig” antes, “Steamworld Heist” é imperdível.

Steel Diver: Sub Wars

A primeira tentativa da Nintendo de introduzir o free 2 play (err, start!), “Steel Diver: Sub Wars” é spin-off de um jogo pouco pular do lançamento do 3DS. Aqui o objetivo é você controlar seu submarino em primeira pessoa e enfrentar em arenas online outros jogadores. Basicamente é um FPS multiplayer de submarino. Dessas coisas que só a Nintendo mesmo poderia inventar, né? O jogo é gratuito e para participar das partidas online você não precisa investir nada.

Inicialmente você tem acesso a algumas missões single-player que servem para liberar uns poucos tripulantes para seu submarino (cada tripulante adiciona uma habilidade) para customizar seu veículo. O jogo também dá acesso a uma boa dose de veículos iniciais para você participar das partidas online e se divertir. Como arena multiplayer, o jogo funciona muito bem e é uma ótima, apesar de simples, distração. Se você quiser um pouco mais da experiência, pode pagar pelo pacote premium que libera todas as missões single-player e outros submarinos. E existe um outro pacote para quem quiser liberar veículos históricos. Tem até a opção do submarino Blue-Marine de “Star Fox 64”. O oferecido gratuitamente já é o suficiente para entreter.

Menções honrosas: Seleciono abaixo outros dez jogos que também considero dignos de destaque, mas não o suficiente para listar neste meu Top 10. Alguns deles apenas ficaram de fora por meros detalhes, mas recomendaria ainda assim. Seriam eles: “AiRace Speed”, “Azure Striker Gunvolt!”, “Chibi-Robo! Photo Finder”, “Order Up!!”, “Pushmo”, “Pocket Card Jockey”, “Rusty’s Real Deal Baseball”, “Weapon Shop de Omasse”, “Xenodrifter”.

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