Review: “Rogue One” de Gareth Edwards

Primeiro derivado da franquia Star Wars, se você não contar “Caravana da Coragem” de 1984 – eu não estou contando –  “Rogue One” (que recebe o subtítulo “Uma História Star Wars” apenas no marketing) vem para tentar dar continuidade aos rumos da franquia após o sucesso de “Star Wars: O Despertar da Força” ano passado. Mas este novo filme pode relaxar um pouco mais, já que não leva a alcunha de ser um episódio numeral da saga. Sim, é Star Wars, mas é um Star Wars diferente, sem nenhum Skywalker como foco narrativo. Mesmo com a premissa de ser um prelúdio dos eventos do filme original de 1977, “Rogue One” pode ser mais criativo como história paralela.

A história você já conhece, pois ela foi narrada lá no textão de abertura do Episódio IV: “É um período de guerra civil. Partido de uma base secreta, naves rebeldes conquistam sua primeira vitória contra o perverso Império Galático. Durante a batalha, espiões rebeldes conseguem roubar os planos secretos da arma decisiva do Império, a Estrela da Morte, uma estação espacial blindada com poder suficiente para destruir um planeta inteiro.” Sim, eu copiei o texto para a sinopse! E é exatamente isso que acontece no filme, com o detalhe que dois parágrafos que rendem uma aventura com novos personagens e a gente pode assistir de fato a tal batalha que permitiu os rebeldes roubarem planos que iriam cair nas mãos da Princesa Leia.

Teoricamente prelúdios não deveriam ter tanta graça, pois você já sabe o que vai acontecer. Mas a graça está em saber como aquilo acontece! E não é a primeira vez que Star Wars volta no tempo, basta lembrar para os Episódios I, II e III que formam a infame trilogia prelúdio. “Rogue One” não tem a mesma pressão deles (ou do Episódio VII) e já mostra isso logo na abertura. Não tem textão para ler! O filme foge da receita formal para mostrar que, apesar de contar algo que a gente já sabe aonde vai levar, isso aqui não é um “Episódio III.9”. É a primeira vez que a franquia arrisca nisso e o resultado é positivo.

“Rogue One” tem um tom sério. Mesmo que às vezes os fãs curtam os episódios mais sombrios de “O Império Contra-Ataca” ou “A Vingança dos Sith”, eles ainda se formam como narrativas de aventura. Com humor, romance, momentos de pura descontração. “Rogue One” é todo sério. Apesar do humor sincerão de um droid, é pouco. O clima é de tempos sombrios. As cenas de ação tem mortes e violência que pesam muito mais do que o padrão da série. Quando Darth Vader surge, ele é praticamente um vilão de terror; mata com uma agressividade nunca vista nele. E o clímax, que aponta para um desfecho esperançoso – “rebeliões são feitas de esperança” – ainda assim tem um toque agridoce. Pois o filme deixa bem claro que, para haver a possibilidade de saída da escuridão, tempos sombrios tem que passar. E isso nunca é algo simples.

A estrela do filme.

A estrela do filme.

Que fique registrado o mérito do texto – por mais simples – de reforçar uma postura política. Mesmo quando estava fazendo alusão a Era Bush lá em 2005, Star Wars nunca fez questão de entrar na questão ideológica de seus heróis ou vilões. Uns são rebeldes, os outros são militaristas, e só! “Rogue One” deixa bem claro a diferença. O Império e seus líderes que fazem alusão aos fascistas (do passado e atuais) querem apenas demonstrar seu poder, sua força, aniquilando o outro como forma de terrorismo de estado. Os rebeldes acreditam em algo – “Que a Força esteja com você” – e é a crença em algo melhor que os distingue. Sendo assim, quando a protagonista faz seu discurso emocionado para a assembleia da Aliança, você realmente acredita em suas palavras, pois elas ecoam um sentimento verdadeiro.

O filme é dirigido por Gareth Edwards, do recente “Godzilla“. E é um filme bem dele mesmo. Isso se reflete em um ritmo inicial lento, com muitos diálogos estabelecendo a narrativa que irá levar ao clímax. E aí ele chega e é puro som e fúria! Talvez a melhor comparação seja ao ápice de “O Retorno de Jedi”, que continha três eventos simultâneos. Em “Rogue One” acontece o mesmo e isso aumenta muito mais a empolgação e o ritmo das cenas. Edwards também gosta de brincar com belos enquadramentos e usa a Estrela da Morte como sua musa em vários momentos. Pessoalmente achei a sequência inicial, com uma nave imperial navegando pelos anéis de um planeta à lá Saturno, um dos momentos mais belos em toda a saga.

Olha quem voltou!

Olha quem voltou!

O elenco é liderado por Felicity Jones (“A Teoria de Tudo”), mais uma para a lista de memoráveis heroínas da galáxia muito distante. Sua Jyn Erso não é carismática como Leia ou Rey, mas carrega muito bem a forte postura de rebelde com causa. Ela tem um quê de Padmé, na verdade. Diego Luna (“Milk”, “Elysium”) vive um herói dúbio que faz algumas escolhas questionáveis, mas elas compensam no ato final. Ben Mendelsohn (“Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”) é um general imperial com um certo complexo de inferioridade quando tem que lidar com superiores. Mads Mikkelsen, Forest Whitaker, Donnie Yen, Wen Jiang, Riz Ahmed e Alan Tudyk como o droid K-2SO formam um elenco bastante diverso, algo que parece ser um foco da Disney em suas produções recentes. Sem dúvida uma postura louvável que tem dado bons resultados em apresentar uma maior variedade de personalidades.

Para os fãs, também temos o retorno de James Earl-Jones falando uma meia dúzia de frases como Darth Vader. Vader rouba a cena em um momento final, mas não espere dele muito mais do que o Coringa em “Esquadrão Suicida” – para usar outro exemplo recente de vilão que é destaque na publicidade, mas nem de longe é destaque no filme. Também temos a participação especial de alguns personagens da trilogia original e até da prelúdio. No final das contas, é um pedaço da saga que leva de um ponto ao outro. A forma como “Rogue One” se amarra naquele letreiro original que eu citei do Episódio IV é absolutamente incrível.

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