Review: “Paper Mario: Color Splash” para Wii U

A série Paper Mario é como uma convencional aberração dentre as franquias Nintendo. Concebido originalmente como uma sequência para o clássico deveria-ter-dado-errado-mas-deu-certo “Super Mario RPG”, o primeiro jogo foi lançado no Nintendo 64 com um visual que não tinha absolutamente nenhuma razão de ser. Mas era o início da Era 3D, o jogo teria figuras em 2D para reproduzir um estilo similar ao jogo de Super Nintendo, e seus produtores resolveram que faria sentido chamar aquilo de “Paper Mario”. Acabou dando certo! Rendeu uma maravilhosa sequência direta para o GameCube três anos depois e de lá para cá a série spin-off vem navegando em águas misteriosas.

Seu jogo para Wii, “Super Paper Mario”, era um derivado do derivado. Abandonava as batalhas em tempo real – mas mantinhas os elementos RPG – para focar em uma exploração bidimensional em cenários tridimensionais. Quando foi a vez da série migrar para o 3DS com “Paper Mario: Sticker Star”, o jogo enfrentou uma inusitada concorrência: a franquia Mario & Luigi, também spin-off de RPG com os personagens Super Mario, mas que já era preestabelecida como série portátil. Para distinguir uma da outra, a Nintendo tirou os elementos RPG de “Sticker Star”, mas reintroduziu as batalhas em turno, só que dessa vez associadas ao uso de cartas. Ou seja, a série já não era mais aquilo que foi introduzido no Nintendo 64 uma década antes. Para piorar, a empresa ainda inventou de misturar Paper Mario com Mario & Luigi no RPG “Mario & Luigi: Paper Jam”, um crossover de spin-offs que é de fazer bagunça na cabeça de qualquer um.

De volta aos consoles caseiros, o Wii U recebe “Paper Mario: Color Splash”, que mantém o estilo de “Sticker Star”, sendo um RPG de exploração sem elementos de RPG com batalhas em turno focadas em cartas.

O jogo tem o padrão narrativo de todo jogo do Mario desde 1985: o herói vê a princesa ser sequestrada por Bowser e deve resgatá-la. Um choque, não? Um dos personagens até brinca com essa repetição. O gimmick da história é que Mario está em uma ilha onde as cores estão sendo roubadas pelos shy guys, portanto recebe a ajuda de um balde de tinta chamado Huey para seguir pintando os cenários, enquanto captura estrelas que lembrar as shines de “Super Mario Sunshine” para resgatar o universo de cores ao mundo de Prism Island. E no final, claro, salvar a princesa do Bowser. Para variar…

Se você jogou “Sticker Star”, “Color Splash” não irá lhe surpreender muito. Ao invés de um mundo de RPG para explorar, o jogo tem um mapa central que você escolhe as fases. Cada fase tem um ou mais objetivo – representado pelas estrelas que você tem que encontrar – e ao completar cada, uma nova fase se abre no cenário. O jogo não foi dividido em “mundos” como em “Sticker Star”, portanto cria uma certa ilusão de não-linearidade. Mas ele tem um ritmo pré-definido. Mesmo com as opções de completar variados objetivos e abrir duas ou três fases de uma só vez, as fases sempre tem algum impeditivo, como um objeto que você precisa achar ou Toads que precisa resgatar. E, claro, isso você só pode fazer em outra fase. O resultado acaba provocando uma linearidade que não ajuda o jogo, pois mesmo que “Color Splash” não seja um RPG, a sensação de exploração da franquia Paper Mario sempre foi um forte e aqui não está presente. Claro, as fases vão requerer muita exploração e atenção a detalhes do cenário, mas acaba sendo tudo muito limitado.

As fases inicialmente são simples e bobas. O jogo demora umas boas 10 horas para começar a apresentar um pouco de dificuldade e variação. As batalhas com cards são repetitivas, pois os inimigos não mudam muito de ataques e o cenário tem sempre tantas cartas escondidas para você encontrar que, na maioria das vezes, irá derrotar goombas e koopas sem desafio algum. Ou seja, fica chato logo a ponto de tornar uma mecânica central do jogo em algo que você vai preferir evitar. Com as batalhas de chefes as coisas melhoram um pouco mais, já que eles sempre vão exigir alguma estratégia específica e o uso das cartas corretas. E algumas fases, como uma em hotel amaldiçoado ou a que envolve um game show com o personagem Snifit, são as mais divertidas exatamente por proporem alguma ideia nova. Algo que as outras fases parecem não se esforçar muito em fazer. É como se o jogo estivesse contente em oferecer o menor desafio possível para o menor risco possível. Para uma franquia que nasceu da ideia de colocar um ícone dos videogames dentro de um livro e transformá-lo em papel, isso é de uma preguiça criativa decepcionante.

Indiscutivelmente o visual é belíssimo e extravagante!

No final, “Paper Mario: Color Splash” tem pouco a oferecer. O jogo é bom e bem feito, mas genérico. Não oferece nada de novo na franquia – fora incríveis visuais em HD e convenhamos que Paper Mario estava merecendo esse tratamento! Quem não gostou de “Sticker Star” não será convertido. Quem gostou irá apreciar um pouco, mas não irá encontrar nada que o faça querer mais. Talvez seja hora da Nintendo perceber que a série spin-off merece o tratamento dado antigamente? Pois simplesmente transformar o simpático Mario de papel e um andador de cenários de papelão com diálogos de humor está se tornando bastante frustrante. Parte da magia se perdeu e o encanto agora parece limitado à extravagância visual. Paper Mario precisa voltar a ser criativo.

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