Review: “Destino Especial” de Jeff Nichols

Inspirado, talvez, naqueles filmes dos anos 70 e 80 sobre figuras paternas e seus relacionamentos com crianças especiais em cima de um contorno sci-fi, “Destino Especial” busca inspirações similares do seriado “Stranger Things” (repare na trilha sonora) para narrar uma simples história. Pense em algo que fique no meio termo entre o seríssimo “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” até o infantil “E.T.”. Adicione uma pitada de road movie e você consegue imaginar o resultado. Apesar das referências clássicas, o filme produz algo inusitado em sua estrutura.

“Destino Especial” mostra Roy e Lucas, dois amigos de infância levando o misterioso Alton a algum destino não revelado. Alton é uma criança especial, tem algum tipo de poder manifestado através de luzes, portanto ele não pode entrar em contato direto com o Sol. O FBI, CIA, NSA e sei lá quantas siglas estão atrás dele, claro, portanto Roy e Lucas tem pressa para levar o garoto ao seu destino. Antes que figuras ameaçadoras – inclusive uns seguidores de alguma seita – lhe façam algum mal.

A narrativa é simples, linear e tem a estrutura road movie mesmo. Muita cena de carro e de estrada, paradas em postos de gasolina, intervalos entre figuras aleatórias que servem de gancho para o próximo ato. O elemento sci-fi, claro, está nos poderes de Alton e na revelação de suas origens. E nessa mistura toda sai uma história de aventura. O clímax, bastante empolgante inclusive, remete diretamente aos já citados clássicos de Steven Spielberg. A história é sobre um pai tentando ajudar seu filho especial. Uma trama de valores humanos, independente da estrutura alternativa ou elementos fantásticos. Assim como Spielberg, o diretor Jeff Nichols entende que para se contar uma história intimamente emocional você não precisa se inspirar em fatos completamente realistas. Nichols é um jovem diretor promissor, aqui em seu primeiro trabalho de estúdio. Recomendo seu filme “O Abrigo”, também sobre relacionamentos familiares em um contorno inusitado.

O elenco é encabeçado por Michael Shannon (de “O Abrigo” e praticamente todos os filmes de Nichols). Sempre competente, Shannon raramente é dado a oportunidade de protagonizar um filme de aventura de estúdio dessa forma. Aqui ele está em seu ambiente comum, já que sua atuação é bastante discreta e focada nas emoções do personagem central. Alton é representado por Jaeden Lieberher, de “Um Santo de Vizinho” e do seriado “Masters of Sex”. Lieberher é daqueles atores mirins que interpretam crianças com características adultas que não atuam como robôs. Ou seja, tem enorme potencial. Joel Edgerton (“O Grande Gatsby”), Kirsten Dunst (a Mary Jane da primeira trilogia Homem-Aranha) e Adam Driver (o Kylo Ren de “Star Wars: O Despertar da Força) completam esse elenco cheio de gente talentosa.

“Destino Especial” sofre um pouco por uma narrativa inicialmente lenta e um clímax que, apesar de empolgante, não produz a catarse que o deveria acompanhar. Ainda assim, no ponto de vista estritamente técnico, é um filme muito bem feito e com as emoções nos lugares corretos.

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