Review: “Assassin’s Creed” de Justin Kurzel

Filmes inspirados em videogame já nos levam ao pessimismo, para dizer o mínimo. Tudo começou com os “Super Mario Bros.” e “Double Dragon” que não tinham a menor ideia do que estavam fazendo, seguiu para absurdos kitsch como “Street Fighter” e “Mortal Kombat”. E depois arriscaram nas boas produções com qualidade duvidosa de “Tomb Raider”, “Resident Evil” e “Silent Hill”. Em resumo, nunca deu certo, portanto fica difícil imaginar se algum dia iria dar certo… O conceito que se tinha, até então, era que o material nunca era levado sério. Bem produzido ou não, tosco ou apenas ruim, filmes inspirados em videogames não recebiam a devida atenção artística que – por exemplo – adaptações de quadrinhos conquistaram.

Após o insuportavelmente confuso “Warcraft“, parece que ficou insinuado que não é a falta de talento que atrapalhava. E “Assassin’s Creed” comprova isso. Inspirada na série de jogos que surgiu em 2007 e de lá para cá produziu um total de dez lançamentos, excluindo spin-offs, o filme parece não ter a menor ideia de como contar uma história. E repete esse erro da maneira mais amadora possível: entediando profundamente o espectador.

Tudo começa no passado, com um assassino chamado Aguilar recebendo a unção do Credo dos Assassinos. Isso depois de um letreiro explicando o que é o Credo, pois Deus me livre o diretor narrar isso visualmente na cena seguinte que serve exatamente para isso, né? Pulamos para o futuro, onde um jovem Cal Lynch encontra sua mãe morta e descobre que o pai é um assassino. Pulamos mais ainda para o futuro e Cal está no corredor da morte, de onde é levado para um complexo da Ordem dos Templários, os rivais do Credo. Lá a cientista Sofia lhe explica que o projeto Animus irá utilizar seu sangue para mostrar a história de seu antepassado – Aguilar – para ajudar os Templários a encontrarem a Maçã do Éden, um artefato de origem mística com o poder de… fazer… algo… Com a genética. Sei lá, não entendi muito bem.

De qualquer forma, essa é a sinopse. Se você já jogou algum Assassin’s Creed, talvez esteja bastante familiar com isso. Se nunca jogou, meus pêsames, mas essa realmente é a história de “Assassin’s Creed”. E o roteiro é profundamente crente em contá-la como algo muito importante! Engraçado como o filme leva algo tão absurdo tão a sério assim. Os jogos, completamente focados na exploração open world de cenários do passado, tinham essa história toda como mero fio narrativo entre episódios. E passaram a ignorá-la nos lançamentos recentes. Sinceramente, é possível jogar cada um dos Assassin’s Creed e simplesmente pular as cenas de história e entender tudo o que acontece, por que basicamente tudo o que acontece está nas suas mãos enquanto você salta de prédios antigos. Já a adaptação cinematográfica resolveu pegar a pior parte daquela bagunça toda e tratar como algo muito, mas muito sério.

E como algo sério, eu me refiro ao fato de que o filme não tem nenhum momento de descontração ou diversão. A narrativa é absolutamente seca, sem gás, sem leveza, sem nenhum momento de surpresa ou reviravolta. Cal precisa entrar no Animus para virar Aguilar e tentar achar a maçã. E só! A sinopse resume o filme inteiro, infelizmente. E o que acontece durante não tem a menor graça. As cenas no presente – apesar de bem filmadas – são tão chatas que nem mesmo os excelente atores parecem estar lá. E as cenas do passado não tem o menor sentido. Cal entra no Animus, o filme nos leva a algum momento aleatório da vida de Aguilar, segue uma cena de ação sem conexão com nada que Cal está passando, a cena acaba e você não aprendeu nada sobre Aguilar. As sequências do passado – todo o motivo do sucesso da série de jogos! – são meros momentos de distração para a narrativa central focada no absoluto tédio que é Cal e seus amigos conversando na prisão.

A direção é do competente Justin Kurzel, que fez “Macbeth: Ambição e Guerra” e, sei lá, mas ele levou Assassin’s Creed meio que a sério demais. Sua direção é eficaz em alguns momentos, com bons enquadramentos. Mas os diálogos são insuportavelmente chatos e caretas. Insisto, não há nenhum momento de leveza em palavra alguma! E as cenas do passado, que capricham um pouco mais na fotografia, são estranhamente filmadas, com uma edição que parece não ligar uma cena a outra direito. Às vezes o personagem pula de um prédio, depois ele já está correndo em outro prédio… Uma completa confusão.

O elenco é liderado por Michael Fassbender, talentosíssimo e carismático, mas insuportavelmente chato tanto como Cal e Aguilar. Sofia é interpretada pela igualmente talentosa e também charmosa Marion Cotillard, ainda mais chata que Fassbender. Não sei como, mas conseguiram me deixar entediado com Marion Cotillard. Tá aí um Oscar que o filme merece… O resto do elenco inclui Jeremy Irons, Charlotte Rampling, Brendan Gleeson, Ariane Labed e Michael Kenneth Wiliams. Tudo gente boa. Ninguém se esforçando nada. Mas também pudera, para quê? Se “Assassin’s Creed” não merece apenas o rótulo de “mais um filme de videogame sofrível”, merece a distinção de “eita filme chato dos infernos”.

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