Review: “O Homem nas Trevas” de Fede Alvarez

O mais difícil em um filme de suspense é surpreender. Enquanto o terror fica mais preocupado em criar um clima de medo constante, através de barulhos misteriosos ou cortes abruptos, o gênero suspense quer colocar você na ponta da cadeira sob a expectativa do imprevisível. “O Homem nas Trevas”, apesar da simples em sua linha narrativa, consegue lhe intrigar com uma direção acertada e trama com reviravoltas que realmente vem de lugar nenhum, mas lhe prendem.

A história mostra um trio de jovens (Rocky, Alex e Money) assaltando uma casa. Os três bandidos tem acesso a inúmeros imóveis pois Alex e filho do dono de uma empresa de segurança domiciliar. Rocky e Money tem menos dinheiro e tem planos de fugir da cidade. Os três se unem para assaltar uma casa com aparência de abandonada onde mora um senhor de idade – que depois eles descobrem ser cego! – que, supostamente, teria uma fortuna guardada.

As primeiras cenas de invasão do local são muito inteligentes. Revelam praticamente todo o mapa do cenário, o que já ajuda a guiar o público a não ficar perdido conforme os personagens se movimentam – e eles se movimentam bastante. Em um take único, eles revelam inúmeros objetos e detalhes que mais tarde virão a ser utilizados em cena. Tudo isso é intencional e muito bem pensado. Edição funciona nesses detalhes. A partir daí o filme segue em frente e não olha para trás. Como todo o ambiente central já está estabelecido (os três anti-heróis, sua vítima, o cenário e objetos ao redor dele), o roteiro pode se preocupar em criar novas situações sem ter o risco de acontecer uma overdose de elementos.

A narrativa segue uma interessante reviravolta que muda o jogo em favor do idoso e depois segue novas reviravoltas envolvendo os anti-heróis e algumas informações surpreendente sobre o roubo em si. A trama simplesmente não para e com isso “O Homem nas Trevas” mantêm um ritmo perfeito para o gênero. Sempre deixando o público a suspeita do que pode acontecer. O clímax é um pouco absurdo e com certos exageros, mas nada comprometedor. E está no estilo do diretor Fede Alvarez (do competente remake de “A Morte do Demônio“), que não tem medo de arriscar com o sensacionalismo. Sua direção aqui está sensacional, com um controle absoluto de todos os elementos. E ele demonstra brilhantismo em uma excelente cena onde o idoso apaga as luzes da casa e coloca nossos protagonistas na mesma situação que ele: sem enxergar absolutamente nada.

O elenco é liderado pela simpatissíssima Jane Levy (também de “A Morte do Demônio”) que é sempre ótima como heroína. E sim, apesar de bandida, ela é heroína – ou anti-heroína, você que escolhe. O arco de sua personagem é humano e tem sentido. Seu nêmesis é interpretado por Stephen Lang, o coronel durão de “Avatar”. Não irei dizer muito sobre sua atuação pois temos algumas surpresas, mas sim ele está em pleno controle dos pequenos detalhes de um bom personagem. Dylan Minnette e Daniel Zovatto são os outros dois invasores. Competentes, mas a graça do filme está no confronto Levy vs Lang.

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