Review: “Jackie” de Pablo Larraín

Jacqueline Kennedy foi uma das mulheres mais famosas do século XX, apesar de ter sido “apenas” primeira-dama dos Estados Unidos ao invés de uma líder de Estado, por exemplo. Mas foi icônica pelo seu estilo e acabou se tornando referência de elegância. Além de, claro, ter sido viúva do único presidente assassinado do país desde então! É um misto macabro de símbolo pop e trágico, daquela mulher em um chique vestido rosa pulando no capô de um carro para catar pedaços de cérebro de seu marido. “Jackie” é uma inusitada biografia que tenta dar uma imagem além dessa imagem para a mulher por detrás de tanta fama.

O filme começa com Jackie Kennedy sendo entrevista por um jornalista (inspirado em uma entrevista real que ela fez para a revista Life). A narrativa segue esse vai e vem entre entrevista e flashbacks, sendo bastante concentrada nos dias seguintes ao assassinato de JFK. Existe uma boa dose da também famosa “A Tour of the White House”, programa televisionado em que a primeira dama apresenta ao povo americano os interiores da casa. Existe um macabro momento – real! – em que Jackie fala em como a viúva de Abraham Lincoln deve ter se sentido após o seu assassinato.

Todas as cenas seguem a protagonista (fora alguns raríssimos casos) e sua relação com o jornalista, seu cunhado Bobby Kennedy, sua secretária Nancy, um padre e outras figuras menores. O filme tenta revelar – tudo é ficção inventada pela excelente roteiro, claro – a reação da primeira dama em situações dramáticas. Jackie Kennedy nunca é pintada como uma mulher extremamente sofrida ou passiva aos acontecimentos, pelo contrário. Ela quer tomar todas as decisões referente ao funeral, pensando em como deixar um legado para seu marido assassinado. Jackie tem momentos de duvida religiosa, questionamentos filosóficos e até mesmo ponderações históricas. Pelo o que mesmo que JFK será lembrado? O que ele fez, além de ser assassinado? Essas questões são pertinentes, inteligentes e, neste caso, parte de uma pessoa que de fato estaria participando de momentos históricos. O roteiro cria uma percepção de realismo interessantíssima, ao humanizar uma personagem icônica nunca tratada de forma humana – sempre como boneca de porcelana.

Méritos da direção de Pablo Larraín (de “No” e “Neruda”), que tentou capturar uma sinceridade na personagem de Jackie muito digna para a figura real. Além de enquadrar alguns momentos de maneira inusitada, por vezes macabra – a trilha sonora ajuda muito nesse momento – seu esforço em focar na mulher é o que eleva o tratamento biográfico da produção. Mas claro, nada disso teria sentido algum se não houvesse uma Natalie Portman dando a atuação de sua vida! Poucas palavras descrevem a força que ela dá ao papel, sumindo completamente através de uma boa presença corporal e um sotaque perfeito. Portman, que desde “O Profissional” só faz crescer como atriz, cria uma das grandes atuações desta década. É para ficar de queixo caído mesmo. Ao seu lado temos Billy Crudup, Peter Sarsgaard, Greta Gerwig e John Hurt.

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