Review: “Deus Ex: Mankind Divided” para PlayStation 4

Sequência direta de “Deus Ex: Human Revolution” lançado em 2011, “Deus Ex: Makind Divided” retorna o personagem Adam Jenssen a um mundo segregado. Aumentados – aqueles que receberam melhorias cibernéticas – são perseguidos pelos “naturais”, os humanos que nunca sofreram alteração. Não sei se silicone ou botox tá incluso no pacote, mas a ideia é que aqueles que foram alterados são suspeitos após um ataque que afetou eles próprios (o evento do clímax do último jogo) e fez com que aumentados passassem a atacar naturais indiscriminadamente. A discriminação virou-se e agora eles são vistos como potencial ameaça. Seja por paranoia terrorista, seja pelo medo do opressor de ser suprimido pelo oprimido.

Parece uma sinopse real? E é. “Mankind Divided” se passa em 2026 – daqui a dez anos apenas! – e é daquele sci-fi que usa termos fictícios para desenvolver ideias reais. E o jogo não faz muita questão de ser sutil nisso não! Mas funciona. O conceito de uma realidade onde um grupo específico é perseguido pelo simples fato de existir, tendo como argumento central que eles estão “dominando a sociedade com suas exigências” – direitos iguais sempre são vistos como opressão por aqueles que estão no topo da hierarquia social. Entra também, claro, a paranoia terrorista, hoje em dia tão atacada em direção aos muçulmanos, pois, para os paranoicos, se um único aumentado cometeu um crime, todos são passivos de cometer aquele crime. É a ideia básica do preconceito: o que define o crime é a classe ou etnia do criminoso, logo, para evitar qualquer riscos daquilo se repetir, todos devem ser tratados como potencial perigo.

Esses conceitos são familiares ao extremo. “Deus Ex: Mankind Divided” pode ser acusado de falta de criatividade, tamanha a obviedade de suas analogias. Mas a tentativa é justa. A série sempre se esforçou em criar um universo com múltiplas opções de ação e o “debate” fica natural. A narrativa cria a possibilidade de zonas cinzentas nos posicionamentos políticos. Os aumentados são de fatos perseguidos pelo status quo, que não aceita a diferença daqueles que – por escolha ou necessidade médica – seguiram um caminho diferente, “não natural” na percepção dos “naturais”. Existe um grupo chamado ARC (Coalizão dos Direitos dos Aumentados) que luta para que o grupo não seja perseguido. Mas, decepcionados pelos frustradas tentativas de diálogo com aqueles no poder, passam a ceder a métodos menos pacifistas. Eles sem dúvida não são os vilões da história, mas também não irão ganhar nenhum Prêmio Nobel da Paz.

A história, portanto, acaba se tornando um elemento fundamental na forma como o jogo flui. Os temas são tão fortemente jogados a cada nova missão que fica difícil fugir deles. E o debate, claro, é interessante. Mas qual a função disso no jogo? “O meio é a mensagem”, como dizem por aí, portanto a jogabilidade Deus Ex serve para melhorar a discussão? Em termos. A estrutura da franquia sempre privilegiou a escolha e isso continua verdade. As missões de “Mankind Divided” tem múltiplas formas de serem realizadas, seja na escolha dos objetivos como até no caminho a ser realizado dentro do mapa. Diferente de “Human Revolution”, este novo episódio parece mais focado nas missões secundárias que acontecem no HUB localizado em Praga, na República Tcheca. Esses objetivos são mais elaborados que no jogo anterior e servem para expandir a história e a repercussão dos eventos do universo a seus habitantes menos notáveis.

Em contraponto, as missões principais parece que diminuíram. Muitas delas se passam no mesmo HUB das secundárias e vão testar a sua paciência para andar de metrô – o método de transporte entre várias partes do mapa. As missões que se passam em um cenário propício a elas são menos curtas e menos interessantes. Ou seja, “Mankind Divided” está completamente focado no universo macro de sua narrativa, nos eventos que ocorrem ao redor da trama central. Isso é uma escolha interessante, mas a história perde um pouco de sua graça nisso. Não ajuda muito que o clímax tenha um jeitão de “final de episódio” e não de “temporada” e deixa muita coisa em aberto ainda. Fora isso, o jogo pouco inova em relação ao anterior. A jogabilidade é a mesma, focada em exploração stealth, mas com opções de improvisação ao jogador. Você irá gerenciar seus inventário e habilidades como em um RPG convencional, mesmo que visualmente a estrutura venda um FPS com elementos de terceira pessoa. Fãs de Call of Duty ou Gears of War ficariam profundamente entediados com Deus Ex.

“Deus Ex: Mankind Divided” foi desenvolvido pela mesma Eidos Montreal do episódio anterior. Portanto o know how já está lá, não se surpreenda que o jogo seja tão competente quanto o anterior. Mas faltou um pouco mais de criatividade. Os gráficos também não evoluíram tanto assim, apesar do estilo visual e trilha sonora continuarem ótimos. Mas a variedade de cenários e animações dos personagens (principalmente nas cenas de diálogos) são bem limitados. Entre um jogo e outro, Deus Ex pulou do PlayStation 3 ao PlayStation 4, só que não fez muito esforço de demonstrar isso. Fora o fato de ter ficado menos “laranja”. Ainda assim, “Deus Ex: Mankind Divided” é uma produção muito competente que irá agradar aos fãs do estilo de jogo. E, aos que estiverem interessados em uma história com nuances que refletem o mundo real, é uma opção que se destaca em um mercado que pouco arrisca isso.

Anúncios
Esse post foi publicado em Reviews, Videogames e marcado , , , . Guardar link permanente.

Comente aqui...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s