Review: “Logan” de James Mangold

É admirável a dedicação de Hugh Jackman ao papel de Wolverine, que o levou ao estrelato lá no ano 2000 com o sucesso imediato de sua interpretação em “X-Men: O Filme”. De lá para cá foram 17 anos e sete filmes, além de duas participações especiais em “Primeira Classe” e no “Apocalipse” do ano passado. Jackman é o único ator a aparecer em todos os filmes X-Men. Poucos fizeram tanto em tão pouco! Atores de James Bond raramente ficam muito mais de uma década no papel. E Tom Cruise está a vinte anos atuando como Ethan Hunt, mas fez apenas cinco filmes desde então. Jackman é o Wolverine e sua atuação marcou o personagem.

“Logan” está sendo vendido como sua última aparição no papel. Vai saber, né? Sabe como é Hollywood e o poder dos salários de 30 milhões de dólares, nem Sean Connery resistiu antes de repetir 007 em “Nunca Mais Outra Vez” – sim, o nome do filme é uma alusão a isso. Mas, a priori, esta é a despedida de Jackman e, para tanto, ele chamou novamente o diretor James Mangold (que já havia feito o eficaz “Wolverine: Imortal” em 2013) para uma “bota fora” memorável, em uma história mais  sóbria com o ator definitivamente envelhecido no papel que não envelhece.

A história se passa no ano de 2029, onde Wolverine está trabalhando como motorista de limusine para juntar dinheiro para alguma coisa no sul dos EUA. Os mutantes foram – aparentemente – erradicados da Terra. Ele é um dos últimos, ao lado de Charles Xavier, que está nonagenário e perdeu controle dos seus poderes, e Caliban – que fez uma breve aparição em “X-Men: Apocalipse” ano passado, sob os cuidados de outro ator. De repente uma mexicana passa a procurar Wolverine para ele cuidar de uma garota estranha, ao mesmo tempo que um grupo de mercenários passa a persegui-lo pelo mesmo motivo.

A narrativa é simples e linear, não irá causar muita confusão a não ser que você tente encaixar os eventos de “Logan” em algum lugar na cronologia da saga X-Men. Aparentemente não há nenhuma, fora umas referências que não amarram muita coisa. Charles Xavier está vivo, então sequência direta de “O Confronto Final” ele não é. E “Dias de um Futuro Esquecido” já havia zerado a linha do tempo da série mesmo, então este Wolverine é aquele do futuro consertado ou que ficou preso no passado e apareceu perdidão em “Apocalipse”? Fica mais fácil ignorar isso tudo e ver “Logan” como um filme a parte.

A inspiração da jornada é de “Velho Logan”, arco dos quadrinhos idealizado por Mark Millar no final dos anos 2000. Mas somente a ideia de um Wolverine envelhecido sobrevivendo em deserto dos EUA. A história segue um padrão claramente inspirado em “A Estrada”, livro de Cormac McCarthy – sinto muito fãs de “The Last of Us”, mas a Naughty Dog não inventou o pós-apocalipse narrado por um adulto desesperançoso guiando uma criança pelo nada. Wolverine parte em sua jornada com a garotinha que tem alguns segredos (o trailer até revela, mas vou segurar o spoiler pois a cena da revelação é muito boa) enquanto pessoas piores que eles seguem atrás de ambos.

James Mangold parece também inspirado em “Os Imperdoáveis”, clássico western de 1992 dirigido e atuado por Clint Eastwood. Essa mistura de ideias faz com que “Logan” tenha um estilo bem próprio e que o separa drasticamente dos filmes X-Men. Ainda tem cenas de ação e mutantes usando seus poderes. Mas boa parte do filme tem uma linhagem dramática e séria, com fotografia escura e os personagens claramente envelhecidos de uma forma que geralmente não é mostrada nas produções típicas da Marvel e DC. Esse elemento faz a produção se destacar automaticamente, mesmo que não seja garantia de qualidade só por conta disso. Mas o filme dá conta do recado e entrega um resultado conciso, bem feito e suficientemente diferente. Não é nenhum marco cinematográfico, mas cumpre o papel. Assim como “Wolverine: Imortal”, que também tentou se distanciar das produções tradicionais. “Logan” é um pouco melhor.

O destaque das atuações vai para Hugh Jackman, óbvio. Ele já está confiante no papel desde “X-Men 2”, pelo menos. Mas já convence como Wolverine desde aquela cena inicial na jaula de luta do primeiro filme. Agora o roteiro lhe dá oportunidade de atuar um pouco mais nas cenas dramáticas e ele aproveita. Se Jackman planejava se despedir do papel que o marcou com uma atuação definitiva, ele alcançou esse resultado. Patrick Stewart também está ótimo quando precisa. Gostaria de ver Ian McKellen ter a mesma oportunidade de atuar como um Magneto severamente velho lidando com o fim da jornada…

Dafne Keen é a criancinha revelação que marca bastante seu papel misterioso e se sai muito bem nas violentas cena de ação. O que deveria ser esquisito, mas não é.  Boyd Holbrook (do seriado “Narcos”) é um ótimo vilão sem grandes poderes, mas eficaz ameaça graças a sua atuação. Filmes X-Men geralmente acertam nesse aspecto, mesmo quando o vilão é apenas humano, não é verdade? Stephen Merchant é Caliban e Richard E. Grant é um misterioso cientista.

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