Review: “Fragmentado” de M. Night Shyamalan

Aclamado diretor de “O Sexto Sentido”, “Corpo Fechado” e “Sinais”, M. Night Shyamalan perdeu a linha depois de seus três primeiros sucessos de público e crítica. Listar seus fracassos virou uma mania da internet nos últimos 15 anos, mais ou menos. Mas seu último filme, “A Visita“, o colocou de volta ao cenário indie e deu certo. Longe de ser um memorável clássico, ao menos era funcional. Agora, com “Fragmentado”, ele parece indicar que vai passar a seguir este rumo. Filmes mais simples, com roteiros menos focados em reviravoltas absurdas e sem sentido. Tem tudo para dar certo.

O filme começa com três garotas sendo sequestradas por um estranho no estacionamento. Depois elas acordam presas em um porão de um tal de Dennis. Paralelamente acompanhamos  a psiquiatra Karen Fletcher, especialista em transtorno dissociativo de identidade (mais conhecido como “transtorno de múltiplas personalidades”) e seu paciente Barry, que na verdade é Dennis. E as garotas descobrem que Dennis também é Patricia. E a criança Hedwig. E por aí vai… A trama é simples, já que as garotas estão presas e tem que lidar com as três personalidades distintas, além da suposta ameaça da Fera que eles dizem que irá aparecer para matá-las. E a psiquiatra também cumpre um papel na história, claro, mas o foco é nas três tentando fugir do porão. Tudo muito simples.

Como suspense, “Fragmentado” funciona bem. Shyamalan sabe dirigir – apesar dos seus fiascos – e amarrar uma trama, ao menos que ela seja simples. Ele geralmente erra quando inventa um enredo desnecessariamente cheio de elementos apenas para forçar uma reviravolta no final. Aqui nós temos alguns elementos a mais (basicamente através de flashbacks da infância de Casey, a protagonista) que não bagunçam nada. E sim, o filme tem uma interessante revelação final. Na verdade eu diria duas, mas não pense muito a respeito disso. Não interfere no que vem antes. A história termina fazendo uma referência interessante, sem que necessariamente isso altere a razão da trama em si. Mas antes disso temos uma importante revelação final sobre nossa protagonista que é feita através de um único olhar da personagem. Talvez seja a reviravolta mais marcante da história, apesar de – novamente – não mudar o rumo do que veio antes. Mas para terminar o arco de Casey, é uma conclusão muito bem feita.

Esses elementos mostram que Shyamalan voltou a boa forma. Particularmente, achei “A Visita” mais divertido. Mas “Fragmentado” funciona muito bem como suspense e ao narrar uma boa história sobre dois personagens – Casey e o atormentado vilão. O filme também é uma ótima oportunidade do ator James McAvoy exercitar seus talentos, não só por dar vozes distintas as múltiplas personalidades, mas também por conseguir fazer isso em uma mesma cena e sem cortes. Não é fácil e ele faz com tremenda competência. Anya Taylor-Joy (revelação do excelente “A Bruxa“) domina com facilidade sua importante personagem. Betty Buckley (a velha doida que virou meme no horrível “Fim dos Tempos”) interpreta a psiquiatra.

Importante enfatizar, já que “Fragmentado” não faz isso: transtorno dissociativo de personalidades não é uma doença comprovadamente real, através de provas empíricas da condição. Existem poucos casos estudados e a maioria envolve no máximo duas personalidades, não as mais de vinte que o filme relata. E, principalmente, não envolve as consequências relatadas no último ato. Nada contra um pouco de liberdade criativa, mas alguma dose de esclarecimento é sempre bom.

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