Review: “Resident Evil 6: O Capítulo Final” de Paul W. S. Anderson

O primeiro filme Resident Evil não tinha lá muito em comum com o jogo do qual se inspirava, fora se passar (por 5 minutos) em uma mansão e ter zumbis. Mas terminava com um gancho que fazia referência inteligente aos jogos “Resident Evil 2” e “Resident Evil 3: Nemesis” e parecia que poderia ir para um rumo legal a partir daí. Mas nada passou de promessa, pois a série cinematográfica passou a seguir as próprias ideias absurdas que sequer davam continuidade ao que elas próprias instigavam. Virou um festival de cosplay para os fãs dos jogos e agora promete um “capítulo final” que quer amarrar o diabos que tenha sobrado de um enredo mal construído…

O filme anterior, “Retribuição“, terminava com Alice e seus amigos dos videogames Jill, Ada e Leon em Washington rumo a enfrentar o exército final de zumbis da Umbrella. Ignore isso. “O Capítulo Final” começa com Alice sozinha nas ruínas de Washington, sem nenhuma explicação do que aconteceu com os personagens anteriores. Provavelmente morreram na batalha? Pode ser, mas o filme começa com uma longa introdução explicando a origem do T-Vírus, algo nunca explicitado nos filmes ao longo de seis episódios, mas de repente eles acharam pertinente. Já o que aconteceu no filme anterior não serve de nada? Ok… Alice encontra a Rainha Vermelha, vilã do primeiro episódio, que fala para ela voltar a Raccoon City e pegar uma cura ao vírus que irá salvar a humanidade. Fácil assim. Por que isso só aconteceu agora a gente finge que acredita.

A série nunca fez questão de ter lógica, ou mesmo coesão. O segundo filme, “Apocalipse”, terminava com Alice e Jill fugindo da Umbrella e com nossa protagonista descobrindo que tem poderes. Já o terceiro, “A Extinção”, começava com o mundo transformado em deserto à lá Mad Max pois o T-Vírus infectava os oceanos (???), sem Jill, mas com Claire. E Alice ganhava um exército de clones. Já o quarto filme, “Recomeço”, tirava o exército de clones de Alice, ah e também seus superpoderes, mas introduzia Chris. Em “Retribuição” não tinha mais Chris e Claire, mas colocava Leon e Ada, junto com o retorno de Jill. Já especifiquei que o mundo deixou de ser um deserto? Pois é… A cronologia dos filmes seguia o impulso dos produtores em criar cenas de ação com personagens tirados dos jogos. Logo a história central em si não tinha o menor compromisso em seguir jornada alguma. Que importância teria um capítulo final a essa altura? Agora já é tarde demais para Alice fingir que a história dela tem algum peso, considerando que nem o arco dela do último filme (lembra da garotinha surda?) é lembrado aqui.

Personagens vem e vão, a maioria deles morre, Claire faz um retorno completamente desnecessário, o vilão Albert Wesker não serve para absolutamente nada, existe uma “reviravolta” envolvendo um personagem que trai Alice apenas para morrer em seguida e sua traição não ter efeito prático algum. Novamente, de que adianta? Por que diabos essa franquia – independente de levar o nome Resident Evil – acha que alguém deveria se importar? Termina logo com essa joça para a gente poder rezar para “O Capítulo Final” ser de fato o capítulo final e nos poupar de tamanha pobreza criativa.

A direção é de Paul W. S. Anderson, que dirigiu o primeiro filme da série assim como todos os outros a partir do quarto. Não vou negar que Anderson sabe enquadrar algumas imagens legais, mas todas elas são desperdiçadas por uma edição absurdamente apressada e com cortes que fazem videoclipes parecem relaxados. Certas cenas de ação aparentam ter um corte por segundo! Não dá para entender nada. Não que tenha muito a se entender, a história inteira é apenas um amarrado de eventos sem peso ou consequência. Mas não deixa de ser um exercício do absurdo.

O elenco é encabeçado por Milla Jovovich, a única do elenco que apareceu em todos os filmes Resident Evil, e a essa altura do campeonato já desistiu de atuar tem tempo. Vou dar créditos a Jovovich por ter se dado ao ridículo de fazer parte de seis filmes ruins, mas ninguém aqui vai considerar sua “despedida” do papel com o mesmo peso de Hugh Jackson em “Logan”. Francamente Jovovich, ninguém se importa… Além dela temos Ali Larter como Claire Redfield, aparentemente, e Shawn Roberts como um cosplay muito barato de Albert Wesker. O vilão é Iain Glen, se esforçando em ser ruim de propósito. Eoin Macken, Ruby Rose e Willam Levy são as novidades que não adicionam absolutamente nada a coisa alguma.

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