Review: “Alien: Covenant” de Ridley Scott

Pare só para pensar: “Alien: Covenant” é o primeiro filme da franquia Alien em 20 anos! E dirigido pelo próprio Ridley Scott do “Alien” original! Era para ser um retorno celebrado, não? Por que parece que esse comeback não atraiu a mesma festa que o retorno de Star Wars ou Mad Max do limbo, por exemplo? Bem, primeiro por que os xenomorfos já deram suas caras nos dois spin-offs toscos de Alien vs Predador. E o próprio Scott já havia pisado de volta nesse universo em “Prometheus”, que não tinha nenhum alien nele, mas era um filme Alien. Só que… Sem alien. Agora tem alien. Então o marketing tá autorizado a colocar um “Alien” antes de “Covenant”!

“Covenant” conta a história da nave Covenant (sim, como “Prometheus” contava a história da Prometheus), uma embarcação colonizadora indo rumo a um planeta distante. Sua tripulação está dormindo quando a nave é atingida por uma tempestade solar aleatória e bota todo mundo para acordar. Depois que eles corrigem os danos na estrutura para seguir rumo ao seu destino novamente, captam uma mensagem que tava passando por lá e veio de um planeta que estava algumas semanas de distância da rota original. Então eles resolvem dar uma passadinha lá, por que algumas semanas é menos longe que sete anos. Que sorte, hein?!

E foque na palavra sorte! Pois mesmo que a história leve a tripulação a um azar tremendo, o pessoal da Covenant só chega no seu planeta novo por acaso mesmo e isso de cara já mostra que o roteiro não tá dando importância para lógica não. Veja só, cientistas espaciais saírem de sua rota por um chamado de emergência não é nenhuma novidade (o “Alien” original começa assim!) e tá longe de ser um furo. Mas aqui o texto forçou a barra. Pegar uma transmissão por acaso após ter sua jornada interrompida por acaso? Brabo. E quando eles chegam no planeta, piora. Lembra como os cientistas eram estúpidos em “Prometheus”? Aqui eles cometem os mesmos erros – embarcam em um planeta novo sem nenhuma roupa especial!!! – como mexer em coisas evidentemente alienígenas sem cuidado algum. Chega uma hora que monstros começam a aparecer por que uma tripulação começou a pisar onde não devia. E um desses monstros é um xenomorfo.

Adivinha o que acontece!

Diga-se de passagem, o primeiro xenomorfo! “Covenant” é sequência de “Prometheus” que era prelúdio de “Alien”. Ou seja, “Covenant” mostra o primeiro alien da mesma espécie que irá aterrorizar a coitada da Ripley no futuro. Deveria ser um surgimento memorável, mas não é. O roteiro desperdiça a origem de maneira assustadora. E a partir daí o filme vira um episódio Alien mesmo, só que já tá tudo errado. O pobrezinho do xenomorfo não é capaz de fazer milagre para consertar a bagunça narrativa. E preciso explicar que não achei “Prometheus” tão ruim quanto a maioria da internet. Mas “Covenant” repete os mesmos erros. E se antes tínhamos um dos culpados por “Lost”, Damon Lindelof, para tentar responsabilizar, agora o roteiro é de John Logan, e seu “Penny Dreadful” era bem escrito apesar de tudo. Hmmm… O que “Covenant” e “Prometheus” tem em comum então? Pois é, o diretor.

Jamais julgarei Scott por ser nada além de um gênio. Mas é visível que o diretor não se importa mais em fazer filmes Alien, a considerar que os últimos dois não tem nada em comum com a estrutura que a franquia mostrou nos quatro primeiro filmes. Apesar da variação de qualidade, a quadrilogia Alien sempre foi sobre uma heroína tentando sobreviver a uma criatura praticamente invencível. “Prometheus” e “Covenant” são filmes sobre criação, sobre mistérios cósmicos, sobre descobertas. Mas colocaram xenomorfos no meio por que, aparentemente, monstros assustadores tem algo a ver com essas questões? Francamente, não me importo de onde eles vieram. Logo, fico continuando sem me importar para onde os sobreviventes da Covenant vão seguir com a “saga” Alien de agora em diante. Alien é sobre terror e “Covenant” não assusta nem surpreende.

O elenco é encabeçado por Michael Fassbender, como o ciborgue Walter e também o David de “Prometheus” fazendo um retorno. Fassbender é competentíssimo e faz um robô mais humano que muito ator que faz humano por aí! Ao seu lado temos a “Ripley da vez” que é Katherine Waterston (“Animais Fantásticos e Onde Habitam”), eficiente como protagonista. Billy Crudup, Danny McBride, Demián Bichir, Carmen Ejogo e Callie Hernandez são outros membros da tripulação que não vai durar muito. Convenhamos, né?

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