Review: “Mulher-Maravilha” de Patty Jenkins

E o Universo Cinematográfico DC segue em frente, correndo atrás da poeira deixado pelo Universo Marvel. Se bem que, em ao menos um território, eles largam na frete: um filme protagonizado por uma mulher! Finalmente, Hollywood lembrou que elas existem!! Pois convenhamos, a essa altura o tratamento de coadjuvante eterno dado à Viúva Negra na Marvel beira o machismo sim – e o fato dela frequentemente aparecer de bunda empinada nos filmes dos Vingadores reforça isso. Mas a DC resolveu abrir as portas e justo com a principal e maior de todas, a Mulher-Maravilha. Ícone feminista e símbolo dos quadrinhos da 2ª Guerra (um Capitão América sem associação direta ao país), a heroína deu as caras em “Batman vs Superman: A Origem da Justiça” e agora toma a dianteira. Não só do seu primeiro filme, mas talvez do Universo inteiro. Vamos ver…

A história narra as origens da heroína (que nunca é chamada de Mulher-Maravilha por ninguém no filme) a partir daquela foto que aparece em “Batman vs Superman” com ela em um campo de batalha. Diana de Themyscira é a princesa das Amazonas, criadas por Zeus para proteger os humanos. Apesar de todas serem guerreiras, sua mãe não quer que ela treine com medo de chamar a atenção de Ares, o Deus da Guerra. Mas tudo muda quando um espião chamado Steve cai perto da ilha e revela para elas sobre a Grande Guerra (aka Primeira Guerra Mundial) que está acontecendo no mundo exterior. Diana enfrenta a resistência da própria mãe e vai atrás de Ares, que ela jura de pé junto é o responsável pela bagunça toda.

Ao chegar no “mundo dos homens” (coff  coff), Diana Prince é um peixe fora d’água tendo que se adaptar a regras de comportamento estranhas, vestimentas completamente desconfortáveis e o fato que mulher nenhuma pode entrar em lugar nenhum. A Mulher-Maravilha é um símbolo feminista, portanto seria um desperdício se o roteiro não se apropriasse desses elementos para questionar certas coisas. Não é nada vigorosamente discutido, mas a mera menção já faz que o público saiba muito bem o que diabos a Diana tá estranhando, né? Mas o importante é ir para a guerra, pois não custa lembrar, ela quer muito encontrar o Ares!

Sim, a pobre Diana acha que Ares é o responsável pelas crueldades da Grande Guerra. Ao se direcionar rumo ao front ela vai vendo as atrocidades que resultaram do conflito – não custa lembrar, quase 20 milhões de pessoas morreram; recomendo o filme “Juventudes Roubadas” para quem quiser um relato real e sóbrio do evento. A jornada da Mulher-Maravilha não é apenas salvar a humanidade de Ares, mas descobrir que a humanidade é capaz de cometer as mais terríveis maldades contra si própria. Entretanto, temos algo de bom também. A força da personagem não é apenas física, pois ela é moralmente destemida – realmente quer ajudar o próximo. Não lida isso como um fardo, como o Superman e Batman cínicos na visão de Zack Snyder. E mesmo sabendo de tudo de ruim que somos capazes, ela persevera. Diana acredita em fazer o bem. Independente de merecermos ou não! E isso é uma mensagem importantíssima nesses tempos profundamente egoístas que vivemos.

A direção de Patty Jenkins (do excelente “Monster: Desejo Assassino”) é muito competente. Primeiro de tudo, a narrativa tem lógica, coisa que ficou faltando bastante tanto em “Batman vs Superman” quanto em “Esquadrão Suicida“, dois filmes que navegavam por tantos personagens e tramas e ficavam perdidos no meio daquilo tudo. “Mulher-Maravilha” tem um ritmo correto, com boas cenas de ação e bons momentos de leveza. O terceiro ato cai um pouco naquelas armadilhas das adaptações recentes de quadrinhos, mas ao menos aqui ele se encaixa no arco narrativo da protagonista. É uma batalha que a Diana tem que lutar para aprender algo. E as cenas de ação são realmente boas e levantam a moral da guerreira, principalmente quanto o tema maneiro que o Hans Zimmer introduziu em “Batman vs Superman” toca. A Mulher-Maravilha é uma heroína das boas e é satisfatório ver que – finalmente!!! – a trataram como ela merece.

Gal Gadot já havia interpretado Diana Prince em “Batman vs Superman” e permitam-me citar o que escrevi no review da época: “Gal Gadot é introduzida também como Mulher Maravilha em estilo ‘nasce uma estrela’ (já estou na expectativa por seu filme solo ano que vem)”. Me desculpa, mas eu acertei. Nasceu uma estrela, sem dúvida! Gadot carrega com facilidade a personagem, apesar de dar umas escorregadas nas cenas mais dramáticas. Mas seu carisma é grande e ela realmente vende a imagem de guerreira destemida quando o momento chama. Ao seu lado temos Chris Pine, charmoso e carismático como Steve Trevor, figura essencial no amadurecimento da Diana. Connie Nielsen e Robin Wright são a mãe e tia dela, mas só aparecem no primeiro ato. Danny Huston é o vilão alemão caricato que pode muito bem ser confundido com o vilão de “X-Men Origens: Wolverine” que ele interpretou. Elena Anaya é a Dra. Veneno, outra vilã caricata que poderia ter sido melhor aproveitada, pois achei que a personagem dela dava margem para mais elementos.

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