Review: “Power Rangers” de Dean Israelite

“Power Rangers” é inspirado no seriado infantil norte-americano que durou sei lá quantas temporadas, mas que foi fenômeno mesmo nos anos 90, e que por si é uma livre adaptação da série japonesa “Super Sentai” que produziu inúmeros heróis desde 1975. Esta nova adaptação tenta dar um toque mais realista a esses personagens multicoloridos que combatem monstros gigantes com robôs dinossauros. Bem, supostamente deu certo para Transformers, não?

Isso se você quiser considerar que os filmes Transformers de Michael Bay deram certo como cinema, claro…

A história começa da Era Cenozoica, que começou após a extinção dos dinossauros – mas acredite se quiser, aparecem uns pterodáctilos lá no fundo. Errr… Ok? Aparecem então uns alienígenas vestidos de Power Rangers com o ranger verde enfrentando-os. Aí o ranger vermelho, Zordon, pega os cristais de todos os outros e cava em um buraquinho para escondê-los por 65 milhões de anos enquanto a ranger verde, Rita Repulta, é jogada no mar para ficar dormindo por esse tempo todo. Voltamos para o presente e somos introduzidos ao adolescente Jason fazendo alguma confusão na escola sei lá por quê quando então é preso – e os títulos “Power Rangers” aparecem na tela sem cerimônia alguma. Como se estivéssemos assistindo a um drama indie.

Err… Ok?

Acredite se quiser, as coisas se complicam! Descobrimos que Jason tem uns problemas em aceitar a pressão de ser o herói da cidade – razoável, nem todo adolescente curte essa ideia de ser ídolo – e por conta de sua prisão domiciliar tem que fazer um “curso especial para jovens rebeldes”, eu acho, na escola aos sábados. Lá conhece Kimberly, que fez alguma besteira misteriosa e foi excluída do grupo das patricinhas e resolve cortar o cabelo por conta disso. Err… Ok… Lá ele conhece também Billy, que é muito inteligente (o motivo dele estar em detenção é explicado, dê crédito ao roteiro nesse caso). A partir daí a história resolve criar uma sensacional coincidência para juntar cinco jovens em uma pedreira para achar os cinco cristais de Zordon: Jason acompanha Billy por que ele conseguiu livrá-lo da tornozeleira eletrônica e por acaso Kimberly também estava lá nadando em um rio! Mas calma, pois Zack e Trini, que sequer foram introduzidos no filme ainda, também estavam lá! Fazendo suas coisas! E juntos eles encontram os cristais e viram Power Rangers!

Mais ou menos. Pode parecer que estou enrolando demais narrando a história, mas isso é importante para a crítica. Pois “Power Rangers” perde pelo menos uns dois terços de sua duração introduzindo o conflito. E, se isso é válido como desenvolvimento de personagens – realmente Jason, Billy e Kimberly crescem e se tornam interessantes – fica esquisito que um filme sobre Power Rangers demore tanto para começar. E quando começa passa uma sensação de “por que faltam 30 minitos de filme para acabar”… Ei, lembra da Rita Repulta? Ela foi encontrada justamente no mesmo momento que os jovens encontraram seus cristais – que 65 milhões de anos mais pequeno!! – e quer juntar ouro para criar um monstro gigante para achar o seu cristal! Ufa, ainda bem que por coincidência o Zordon já tem cinco Power Rangers novinhos, hein?

Verdade seja dita, o clímax final é até divertido – apesar dos efeitos especiais fraquíssimos. O diretor Dean Israelite filma essas cenas com boas referências aos seriado da qual se inspira. Inclusive com direito a cena de luta na pedreira, para não perder a tradição, né? E os cinco jovens são carismáticos, principalmente os três principais que já foram citados e recebem mais tempo para se desenvolver. Zack e Trini acabam virando coadjuvantes na historia, já que os dramas de Jason, Billy e Kimberly se tornam mais prevalentes. Ainda assim, cria uma dissonância narrativa muito esquisita. O filme dedica quase que seus dois primeiro atos inteiros a desenvolver seus personagens e, quando finalmente vira Power Rangers, acaba virando só isso. Ou seja… Por que nos dedicamos tanto tempo a história dos heróis se isso não trás nada ao conflito em si – que simplesmente envolve em impedir Rita Repulsa usando robôs dinossauros. Pense em como “Batman Begins” se dedica plenamente a Bruce Wayne, mas sua jornada como Batman no clímax acaba sendo reflexo daquilo que foi introduzido no dois primeiro atos! Nada disso se encontra aqui. O roteiro se esforça, mas não sabe o que quer.

Ah, não custa lembrar, o filme explica que os robôs são dinossauros por que tomaram forma da vida dominante no planeta na época. Na Era Cenozoica. Que não tinha dinossauros. Por que eles estavam… Extintos… Err… Ok? E olha, se alguém vier defender que “vai ver eles eram robôs rangers por alguns milhões de anos desde então”, por favor, não, nem tente.

O elenco é encabeçado por Dacre Montgomery (o ranger vermelho), Naomi Scott (a ranger rosa) e RJ Cyler (ranger azul). Montgomery e Scott são bastante carismáticos e isso dá força aos seus papéis. Cyler acaba sendo o personagem mais legal do grupo, o que demonstra que o roteiro – que escolheu retratá-lo no espectro do autismo, algo bastante positivo do ponto de vista da representatividade – realmente se esforçou em criar heróis humanos. Que, infelizmente, são desperdiçados em um filme sobre Power Rangers… Ludi Lin é o ranger preto e Becky G. a ranger amarelo. Nenhum dos dois tem oportunidade para fazer grandes coisas. Bryan Cranston é o Zordon, sem ter muito o que se fazer com isso mesmo. E Elizabeth Banks até parece se divertir sendo Rita Repulsa, o que acaba compensando o fato da personagem não ter nada a ver com a vilã original.

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