Review: “Sua Melhor História” de Lone Scherfig

Inspirado em um livro de ficção escrito por Lissa Evans, mas livremente inspirado na história da roteirista britânica Diana Morgan, “Sua Melhor História” narra uma personagem interessantemente apropriada para o atual momento cultural: uma mulher que quer se inserir na machista indústria cinematográfica e, com isso, contar uma história inspiradora em momentos sombrios. Se quiserem refilmar esse filme daqui a uns 70 anos, podem colocá-lo sob a produção de “Mulher-Maravilha”, não?

Catrin Cole é uma secretária que consegue trabalho como roteirista para o Ministério de Informação do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial. O governo quer investir em um filme sobre a evacuação de Dunquerque para inspirar a moral da população britânica. Mas como o texto está tendo dificuldade em ganhar diálogos realistas, eles contratam uma mulher para trazer uma visão feminina ao texto. Sendo que, claro, nada é tão fácil assim já que a “visão feminina” ainda contrasta com as exigências masculinas da produção. Colocando Cole para bater de frente como seu parceiro roteirista – o único que receberá crédito – e até com um egocêntrico ator importante.

“Sua Melhor História” não assume uma postura feminista na discussão de gênero. Até por que o contexto social surge sozinho nessas horas, portanto o roteiro nem precisa se esforçar para abordar isso, não? A questão fica bastante óbvia, mas assim como o roteiro fictício sobre a evacuação real (que inspirou uma impressionante cena em “Desejo e Reparação” de Joe Wright) quer trazer inspiração, assim é o texto de Gaby Chiappe. O filme é mais pendente à comédia com elementos românticos, portanto a discussão social acaba dando espaço para uma sincera história sobre criar momentos de otimismo, apesar da realidade pessimista. “Dar as costas para essas oportunidades, mesmo quando se perde tanto, não seria deixar a morte tomar domínio sobre a vida?” diz um personagem em determinado momento. Portanto o texto consegue encerrar a jornada de Cole com uma mensagem mais positiva do que questionadora.

A direção é de Lone Scherfig (“Educação”), portanto importante notar que o filme é dirigido, escrito e protagonizado por mulheres. “Sua Melhor História” tem bons enquadramentos, principalmente quando tenta emular um visual mais similar ao cinema dos anos 1940. A narrativa também trás uma interessante reviravolta lá para o terceiro ato que, de certa maneira, é enunciada uns bons minutos antes. Portanto Scherfig quis jogar uma “isca” para a plateia sobre o que acontece para deixá-la em alívio antes de puxar o tapete de vez. Um recurso muito inteligente e, sem dúvida, bastante eficaz no contexto a ser discutido no clímax.

A protagonista é Gemma Arterton, ex-Bond Girl de “007: Quantum of Solace” que acabou tendo uma interessante carreira desde então. Arterton é uma boa atriz para papéis que exigem determinação, mas mantendo aquele típico charme espevitado britânico. Ao seu lado temos Sam Claflin (da série Jogos Vorazes) bastante convincente como um romântico durão – não deveria isso ser um pouco contraditório? O excelente Bill Nighy é o ator egocêntrico que está lá para roubar algumas boas cenas com seu jeitão de sempre. Eddie Marsan, Helen McCrory e Jack Huston colaboram em papéis menores. Gostei muito de Rachael Stirling como a única outra presença feminina para colaborar com Cole na produção do filme.

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