Review: “It: A Coisa” de Andy Muschietti

Originalmente um looooongo livro (que eu nunca li) do consagrado autor Stephen King, “It: A Coisa” virou uma série de televisão em 1990 (que eu nunca vi) e acabou virando um clássico. Não tanto por méritos em si – poucos são aqueles que de fato elogiam a prosa do livro ou o refinado horror do filme – e mais por ter como vilão um palhaço assustador. O inusitado rendeu a história uma certo status de lenda, pois décadas depois muita gente ainda associa o medo de palhaço ao famoso vilão de Pennywise. E eis que surge um remake cinematográfico por que, convenhamos, Hollywood tava demorando, né?

No final dos anos 80, o jovem Bill está brincando com seu irmão Georgie quando este desaparece misteriosamente. Assim como tantas outras crianças da cidade de Derry, em uma onda de crimes que não parece comover os adultos. Bill e seus amigos resolvem procurar por Georgie nos esgotos da cidade quando esbarram com Ben, um garoto fugindo dos bullies absurdamente cruéis da escola, e Beverly, um garota com sérios problemas pessoais em casa. Juntos o grupo de desajustados (mais Mike, que aparece do nada e é uma inclusão muito mal encaminhada) resolvem investigar o mistério de um palhaço que anda aparecendo pela cidade – inclusive para eles próprios.

“It: A Coisa” é daqueles filmes de terror que não causa tanto medo. Pode parecer um paradoxo ou falta da competência do diretor mesmo, mas fica claro que o propósito da narrativa é servir uma boa história. E nisso ele funciona muito bem. Os pontos da trama são bem amarrados (apesar de previsíveis) e os jovens protagonistas bem estruturados, funcionam muito bem como pessoas assustadas – o maior problema da maioria dos filmes de terror, que geralmente são protagonizados por completos idiotas. Como “It” é intencionalmente mais preocupado em contar uma boa narrativa, quase que funciona mais como uma história de aventura juvenil – existem inúmeros momentos engraçados e divertidos – e isso pode causar a impressão de não ser terror. Mas é um filme sobre medo, principalmente de coisas assustadoras que não são palhaços.

Assim como “Corra!” não assusta, mas discute os horrores do racismo. Ou “O Iluminado” (também inspirado em Stephen King) que tem poucas cenas de medo, mas se esforça em narrar uma história de violência familiar. Ou o clássico “O Exorcista”, que claro tem cenas perturbadoras, mas poucos momentos de tensão e susto; seu foco é no terror de uma mãe desesperada. “It: A Coisa” entra no hall de bons filmes de terror que não assustam, mas contam uma boa história. O diretor Andy Muschietti (de “Mama“) filme com boa competência, principalmente as aparições bizarras do palhaço Pennywise – que é uma figura monstruosa bem típica das histórias de Stephen King – mas não deixa nenhuma impressão memorável. Fiquei mais impressionado com a fotografia de Chung-hoon Chung, que geralmente trabalha com Chan-wook Park, e da elegante trilha sonora de Benjamin Wallfisch.

O elenco infantil é encabeçado por Jaeden Lieberher (o conheci em “Masters of Sex”, já é um ator bastante maduro) como Bill, Jeremy Ray Taylor como Ben e Sophia Lillis como Beverly. Finn Wolfhard (de “Stranger Things”), Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff e Chosen Jacobs completamente o impressionante elenco infantil. Bill Skarsgård é o vilão Pennywise e parece se divertir bastante no papel de palhaço demoníaco, o que é essencial para esse tipo de papel absurdo.

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