Review: “Jogo Perigoso” de Mike Flanagan

Stephen King parece ter voltado à moda em Hollywood, que voltou a adaptar suas obras – inclusive as menos conhecidas, como “Jogo Perigoso”, livro lançado em 1992. Aqui a história parte de uma premissa tremendamente simples: um casal vai para uma casa isolada tentar reanimar um longo casamento, quando um acidente acontece e a mulher se vê presa em uma situação bastante complicada de sair. Apesar de uma ideia simples, o texto trás a tona uma mensagem poderosa.

Permitam-se uma esnobada na sinopse mesmo, pois fica impossível dizer o que acontece nos 10 primeiros minutos do filme sem estragar muitas surpresas que acontecem nos primeiros 15 minutos. “Jogo Perigoso” parte de uma premissa muito simples, depois joga alguns absurdos na tela e navega por quase uma hora em um jogo de suspense psicológico. Em determinado momento um “vilão” é introduzido e ele é responsável por, de longe, a cena mais aterrorizante da história. E outras coisas vão acontecendo até o arco final da protagonista se encerrar de forma que não tem nada a ver como a história começou.

Méritos do absurdo texto original de King. O cultuado autor de terror tem como seu forte criar histórias sobrenaturais sobre vilões irreais que atingem seus protagonistas por conta de dramas bastante reais. “Jogo Perigoso” não é um filme sobre “o que acontece com a mulher” e sim com as coisas que ela reflete a partir de uma situação dramática. Apesar dos absurdos (típicos de King) e de uma boa dose de “será que isso é real?” que é essencial ao enredo, por fim a trama chega a conclusão que monstros são reais sim – e nem sempre aparecem da forma que se espera. Tratar esses monstros como irreais – ou acusá-los onde eles não estão – apenas serve para reforçar a sensação de impotência das vítimas.

A direção e roteiro são de Mike Flanagan, que fez o competente filme de terror “O Espelho“. “Jogo Perigoso” não é cinema de horror, mas tem algumas cenas horripilantes e momentos de “monstros nas sombras” que realmente assustam. Mas o propósito da história é mais dramático e isso fica bem claro no epílogo. Em alguns momentos que a trama exige “reflexão interna” da personagem, digamos assim, a direção escorrega. De qualquer forma, um trabalho bem eficaz amarrado por um bom texto. A creio que muita gente pode achar esquisita a conclusão da história, mas se você realmente não entender o propósito dos “monstros que são reais”, talvez não tenha entendido o ponto que o roteiro queria tocar.

O elenco tem apenas dois atores de fato: Carla Gugino (“Terromoto: A Falha de San Andreas”) e Bruce Greenwood (um daqueles coadjuvantes que você sempre vê por aí, mais recentemente pode ser identificado nos últimos Star Trek). Greenwood tem uma boa participação, mas cabe a Gugino carregar o filme inteiro. Ela não é apenas a protagonista, como é o foco da câmera em praticamente todo o momento. A história quase não sai de um quarto em que ela está, portanto cabe a essa eficiente atriz dar conta de um recado bastante difícil. E… Ela… Passa no teste. Não dá um grande show de atuação como uma oportunidade dessas permite, mas também não faz feio.

Duas participações especiais que não irei dizer onde, por motivos de spoilers: Carel Struycken, o Lurch dos dois filmes A Família Addams dos anos 90; e Henry Thomas, o garotinho de “E.T.”. Boa sorte em reconhecê-lo.

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