Review: “A Babá” de McG

Cinema de terror tem a tendência em brincar com a comédia de vez em quando. Bons filmes de “terrir”, como às vezes são chamados, usam técnicas do horror – cortes rápidos, fotografia macabra, elementos bizarros – para contar uma piada. Um dos grandes clássicos do terror dos anos 90, “Pânico”, é muito mais lembrando pela ironia do que pelos sustos. De vez em quando, funciona muito bem contar um história assustadora, mas fazer o público rir com o absurdo do que acontece.

“A Babá” conta a história de Cole, um adolescente nerd que é vítima de bullying na escola e na sua rua, e que conta com a amizade da babá Bee que o trata com respeito e ambos dividem grande intimidade. Uma certa noite, quando Bee está cuidado dele, Cole a flagra matando um jovem em um ritual demoníaco. Pois é. A partir daí, Bee e seu grupo de amigos passam a persegui-lo para apagar as provas do crime.

O conceito é ridículo e o filme entende disso. Um pouco. O roteiro (escrito por Brian Duffield) é surpreendentemente atencioso a detalhes. Desenvolve muito bem a relação de Cole e Bee no primeiro ato. E repare como a narrativa se esforça – às vezes até de maneira óbvia – para certos elementos e objetos que virão a ser utilizados depois. Até o clímax, parece que todos os absurdos sem sentido acontecem de maneira muito bem organizada e estruturada. O que é um esforço danado do texto em criar uma história amarrada, apesar de nada ter lá muito sentido. Isso não significa que “A Babá” não tenha sérios problemas. Alguns por conta do roteiro mesmo. Algumas piadas são boas, outras nem tanto. Certos momentos atravessam um pouco no racismo ou machismo, numa tentativa do texto em tentar não ser politicamente correto. Soa mal articulado e mal intencionado. Mas, considerando que Duffield parece ter se esforçado tanto com a história e seus personagens centrais, fico com a impressão que esses lapsos de julgamento podem ser culpa da direção.

O diretor McG (que fez aqueles dois As Panteras dos anos 2000) parece ter uma visão tremendamente infantil sobre o universo que ele elaborou. E o problema não estão nos personagens bobos, mas sim em como sua edição fica jogando infográficos na tela para explicar o tremendamente óbvio – como um adulto tentando ser cool como ele acredita que adolescentes são, mas soando extremamente cafona. E apesar do filme ter uma boa fotografia em algumas cenas bastante específicas, a direção parece estar muito mais ocupada em pular logo para a próxima piada. E isso resulta em uma narrativa em frangalhos, que às vezes faz rir, às vezes cria vergonha alheia, às vezes simplesmente não chega a lugar algum. “A Babá” termina sendo uma oportunidade desperdiçada, apesar de divertir em sua breve duração.

Cole é interpretado por Judah Lewis (de “Demolição”), carismático e confortável no papel de protagonista. Destaco a atuação de Samara Weaving como Bee, a atriz é bastante simpática e tem bom timing para o humor. Entre os colegas da babá que estão lá apenas para representar superficialmente estereótipos de filmes slasher temos Robbie Amell (“DUFF”), Bella Thorne (também de “DUFF”), Hana Mae Lee (“A Escolha Perfeita”) e Andrew Bachelor. Nenhum deles tem tempo de se destacar muito, mas achei que Thorne caiu bem no papel de cheerleader estúpida.

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