A Warner conseguiu aquilo que a Marvel não conseguiria: afundou o Universo DC

Os relatos da morte do Universo Cinematográfico DC são prematuros. “Mulher Maravilha” foi um sucesso e sua sequência está garantida para 2019. E o próximo filme do Batman (com Ben Affleck?) já tem seu talentoso diretor, Matt Reeves, para ajudar o herói a voltar a ser popular nas bilheterias. E sei lá, quem sabe James Wan, dos filmes Invocação do Mal, não consegue tornar “Aquaman” em um sucesso também? Claro, há promessa de futuro para a DC! Mas os fatos atuais são concretos: “Liga da Justiça” flopou. Tropeçou em sua arrogância. Claro que nenhum filme que faz US$285 milhões nas bilheterias globais em sua estreia vai passar vergonha. A produção inclusive bateu o recorde de arrecadação em um dia no território brasileiro. Nada mal, não? Entretanto, esses números não são animadores de uma forma geral. Salvo um milagre do boca a boca, “Liga da Justiça” tem tudo para ser o filme de quadrinhos de pior bilheteria deste ano. Apesar de ter sido o mais caro: dizem por aí que ele custou $300 milhões de dólares, sem contar o custo com a distribuição e publicidade.

Aí segue a questão central da minha discussão: como isso aconteceu? Como um filme da Liga da Justiça pode fazer menos sucesso que um filme dos Vingadores da Marvel? Eu sei que “Os Vingadores” de 2012 se tornou uma referência para o cinema dos quadrinhos desde que ultrapassou o $1,5 bilhão de dólares em números globais, mas sejamos sinceros: quem é Homem de Ferro e Thor na fila do pão com Superman, Batman e Mulher Maravilha?! O sucesso deveria ser garantido – como a Marvel mostrou – e o que vimos é, no máximo, uma recepção razoável. Se você desconsiderar o orçamento do filme! Considerando o investimento da Warner, se “Liga da Justiça” não passar dos 700 milhões de dólares globais ele pode vir a ser um fiasco financeiro. E essa conta vai cair justo no colo do seu principal responsável: o estúdio Warner Bros.

Não se preocupe, o rendimento severamente abaixo do esperado de “Liga da Justiça” irá render muitas análises post-mortem buscando culpados. Talvez o principal alvo seja Zack Snyder. Entretanto, o diretor da trilogia “Homem de Aço – Batman vs Superman – Liga da Justiça” foi apenas um contratado para desenhar algo que nem seus chefões sabiam o que queriam. Desde o sucesso de “Os Vingadores” que Hollywood parece que deduziu que havia um mercado para os chamados Universo Cinematográficos, então todo mundo inventou seu jeitinho. Entretanto, poucos deduziram que talvez o sucesso da Marvel se desse pela consistente qualidade de suas produções. E sim, eu sou um tremendo crítico da “busca pela mediocridade” em seus filmes (leia algumas das minhas críticas), mas o estúdio é eficaz em manter a consistência na tonalidade que agrada ao grande público. E quando até um filme do “Homem-Formiga” consegue fazer $500 milhões de dólares em bilheterias, é por que o público confia nessas produções, por mais Sessão da Tarde que elas sejam.

Já a DC? Ok, seu Universo Cinematográfico mostrou certa consistência nos números, com “Batman vs Superman“, “Esquadrão Suicida” e “Mulher Maravilha” rendendo bilheterias similares. Mas “Liga da Justiça” não deveria estar apontando para a média. Como “Os Vingadores” não se enquadrou nos rendimentos anteriores de “Homem de Ferro” ou “Capitão América“. Ele os elevou a um novo patamar! E algo que precisa ser lembrado: antes desse Universo Cinematográfico, a DC estava muito confortável nadando nos bilhões de dólares da trilogia Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan. Então não era para “Liga da Justiça” simplesmente manter o status quo ou “pagar as contas”. Era para elevar a franquia DC a um novo nível! E não apenas não irá alcançar isso, como tem tudo para ser o filme de pior rendimento da série. Se “Liga da Justiça” não fizer os números de “O Homem de Aço“, é um vexame sim.

E o estúdio Warner, teoricamente preocupado em passar vergonha por não bater um filme do Thor (!!!), parece não entender a razão da primeira produção com rótulo Liga da Justiça não render nada além de um sonoro “Eh…”. Desesperados com a controvérsia do lançamento de “Batman vs Superman”, tentaram alterar o tom da produção. Quando o diretor Zack Snyder teve que sair da pós-produção por motivos pessoais, chamaram Joss Whedon – de “Os Vingadores” – para adicionar um pouco mais de humor. E colocar o Superman para sorrir, nem que isso viesse as custas de criar o bigode invisível mais visível da história do cinema. Se isso salvou o filme de um estrago pior a gente não sabe (eu adoraria ver a visão original de Snyder no futuro), mas produziu uma aberração de qualquer forma. Sucedendo o lançamento não muito favorável de “Batman vs Superman”, a Warner não conseguiu evitar a polêmica novamente – mesmo que conseguisse trocar a polêmica. Não que eu não entenda o estúdio em tentar evitar repetir erros. Mas produzir um erro diferente não iria mudar o rumo da conversa. As pessoas ainda estão debatendo que seus filmes não são bons, ao invés de celebrá-los por sê-los.

Ouça Don Draper, Warner…

Outro problema é que a primeira aparição da Liga da Justiça já foi gasta no filme anterior. Sério, o Flash até é um herói legal, mas ninguém se importa com Ciborgue e Aquaman. A Liga da Justiça é, e sempre foi, a trindade: Superman, Batman e Mulher Maravilha. Três dos cinco heróis mais reconhecidos do planeta (coloque seu Homem-Aranha e Hulk onde quiser no Top 5) em um único filme é um evento histórico! Mas isso já aconteceu antes, justamente em “Batman vs Superman”, e o resultado não foi incrivelmente memorável. Sim, a introdução de Gal Gadot como Diana Prince foi legal e pelo menos serviu para cimentar um novo tema musical para a heroína em nossos ouvidos. Mas quando a união de três heróis pela primeira vez rende elogios para apenas um deles, é por que algo deu errado. É como se “Os Vingadores” estreasse e as pessoas só tivessem gostado do Hulk! Olha, o Hulk pode até ter roubado a cena em 2012, mas o filme como um todo foi muito bem recebido. “Batman vs Superman” sequer tem a Mulher Maravilha no nome, mas seu único saldo positivo foram cinco minutos de Gadot.

O que queimou a largada da Liga da Justiça, tirando qualquer espetáculo de “primeira vez” do próximo filme, além de deixar um sabor amargo de “quem se importa?” ao público. E pelos números de bilheterias, realmente pouca gente se importou. Fazer alguns $90 milhões em 2017 não é a mesma coisa de quando essa marca foi superar pela primeira vez por Harry Potter em 2001. É algo que se encaixa entre “um Thor 2 e Thor 3” e isso não é lá muito memorável. Portanto, mesmo que esse resultado não seja o suficiente para impedir a continuidade do Universo Cinematográfico DC (e não irá), mostra que o estúdio não conseguiu fincar seus planos com o público. “Liga da Justiça” poderia até não produzir o mesmo sucesso de “Os Vingadores”, mas não conseguir sequer reverberar algo positivo é uma pá de cal nos planos do estúdio. Insisto: mesmo com a continuidade deste Universo, não será como continuidade do introduzido nos filmes Zack Snyder. Fãs da DC esperando pelo encontro dos heróis com Darkseid provavelmente irão continuar esperando.

“Liga da Justiça” não será um sucesso e a Warner só tem a si mesmo para culpar. Sua tentativa de reproduzir os planos de sua grande rival dos quadrinhos foram mal realizados e a Marvel sequer teve que se preocupar em fazer diferente. Ano que vem teremos um terceiro Vingadores e já temos um quarto programado para 2019. Pois é… Ambos Universos seguem em frente. Mas apenas um deles segue despreocupado.

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