Review: “Uncharted: The Lost Legacy” para PlayStation 4

Após encerrar as aventuras de Nathan Drake (teoricamente, vai saber o futuro) em “Uncharted 4: A Thief’s End” de 2016, a desenvolvedora Naughty Dog deu um jeito de continuar com sua popular franquia. “The Lost Legacy” é o primeiro jogo da série não protagonizado pelo herói e foi concebido, originalmente, como conteúdo DLC para o lançamento anterior. Agora foi lançado como uma aventura a parte, protagonizado pela heroína Chloe Frazer (de “Uncharted 2”) e a anti-heroína Nadine Ross (de “Uncharted 4”). É o sexto jogo da série que está completado apenas dez anos então, evidentemente, dá sinais de cansaço. Os fãs, entretanto, dificilmente irão reparar.

O jogo se passa após os eventos de “Uncharted 4” – portanto Nathan Drake é apenas casualmente mencionado via diálogos – e Chloe contrata a mercenária Nadine para encontrar um artefato perdido na Índia. A estrutura narrativa é similar a todos os jogos anteriores da série: um objeto central que leva a descoberta de ruínas misteriosamente perdidas apesar de terem uma gigantesca estrutura que seria visível por qualquer helicóptero ou satélite da Google, mas as aventureiras chegam lá primeiro e encontram mercenários que não tem muita preocupação em sair explodindo tudo. À lá Nathan, Chloe não consegue sair de nenhuma cidade perdida sem ao menos antes transformá-la em pó. E olha que ela não para de falar que o pai era arqueólogo, hein!

Pode parecer uma crítica boba a se fazer sobre a estrutura narrativa, mas é tremendamente válido por que é algo que toda a franquia Uncharted repetiu. E insisto: este é o sexto jogo em apenas 10 anos. Não é pouca repetição não, sabe… Nem o fato de termos uma protagonista diferente, acompanhada por uma coadjuvante diferente, muda o ritmo da história. Chloe descobre ruínas, faz alguma piadinha (ela tem a mesmíssima dificuldade do Nathan em ficar quieta, mesmo quando está sozinha), mercenários aparecem, coisas explodem, uma grande set piece de ruínas ruindo acontece, pule para a próxima fase. É sintomático quando justamente o único jogo a não repetir esse padrão seja o primeiro – que eu joguei recentemente e envelheceu surpreendentemente bem. Desde “Uncharted 2” a série simplesmente não consegue fugir dessa estrutura.

O que é uma pena, pois “The Lost Legacy” tem boas ideias. Seria inclusive um jogo melhor que “Uncharted 4” não fosse limitado pela sua origem “capítulo extra” que fica bem visível em seus curtos nove capítulos. Para começar, nenhum desses capítulos (fora o prólogo) é focado em contar historinhas ou cenas de “filme interativos”. Diferente do jogo anterior, que às vezes simplesmente parava para desenvolver a trama enquanto limitava o jogador a apertar para frente para andar. “The Lost Legacy” não tem nenhuma cena da Chloe em casa pegando comida na geladeira, ufa! O jogo é focado na aventura e segue um bom ritmo. Também tem menos sequências de tiroteio e mais de exploração, o que para mim é um ponto positivo.

Quem prefere Uncharted como jogo de ação, entretanto, pode se frustrar. Fora a última fase, claramente inspirada na icônica perseguição de trem de “Uncharted 2”, a aventura não tem nenhuma sequência focada na adrenalina. Algumas arenas de tiroteio e uma breve fuga de tiros no início, o jogo foca na exploração. Seu auge acontece ainda no começo onde Chloe e Nadine exploram as selvas da Índia livremente em seu jipe. Similar a um momento parecido em “Uncharted 4”, mas superior por ter mais segredos alternativos e um mapa melhor desenvolvido, com menos espaços vazios e mais eventos ocorrendo após a realização de alguns objetivos.

Fora isso, o jogo não apresenta nenhuma novidade. A maioria das fases são tremendamente lineares. Os poucos enigmas são divertidos, mas limitados. Não existe nenhum “puzzle de ambiente” memorável, algo que a série Tomb Raider sempre fez tão bem, onde você deve descobrir algum mistério na sala e usá-la para resolvê-lo. Aqui segue aquele padrão “gire algumas alavancas para coisas acontecerem”, sem necessidade de se pensar muito. Por outro lado, os gráficos continuam impressionantemente belos e apresentam alguns dos melhores cenários da série. O divertido momento em que Chloe e Nadine escalam gigantescas estátuas em uma cachoeira pode até ser automático e linear, mas é difícil não ficar encantado com a exuberância visual apresentada.

Somando todos esses aspectos, creio que “The Lost Legacy” segue muito bem o, errr, legado da série Uncharted. É tremendamente linear e, apesar de algumas boas ideias, se repete demais e tem muitos momentos óbvios. “Oh, céus, será que a Chloe vai cair no abismo após escorregar novamente da cachoeira?” Não, por que sempre tem um ponto de gancho para ela jogar sua corda. “Oh, não, será que Chloe conseguirá se segurar na beirada de uma pedra escorregaria após escorregar novamente?” Sim. Automaticamente. O jogador nem precisa apertar nada. Entretanto… Não é isso que os fãs gostam? É. O sucesso de Uncharted deve-se muito a sua obviedade e repetição, amarrados por personagens carismáticos e sensação de “filme de aventura”. Se é isso que você procura, não tem erro.

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