Revisitando os melhores jogos da eShop do Wii U

O sucessor do Wii não alcançou o mesmo sucesso do seu predecessor. Agora que o Switch já está dominando o mundo – especialmente no cenário dos jogos independentes vendidos pela loja online – é hora de olhar para trás. Pois Wii U não foi a evolução esperada, mas em ao menos uma característica ele foi sinceramente melhor: a disponibilidade de conteúdo para download pela eShop. Claro, não é como se o serviço WiiWare fosse muito elaborado, mas teve ótimos títulos. A eShop do Wii U teve mais variedade de opções e maior praticidade. E alguns dos melhores jogos do aparelho estão disponíveis exclusivamente lá.

Portanto, assim como fiz com o as opções no 3DS, hoje lanço uma análise dos meus dez jogos favoritos da eShop que podem ser baixados para o Wii U. Não estou incluindo produtos retail disponíveis no serviço assim como a linha Virtual Console ou relançamentos em HD. Apenas jogos focados no serviço digital – apesar de alguns deles terem sido relançados em mídia física posteriormente.

Affordable Space Adventures

Um título exclusivo ao Wii U que praticamente só pode ser jogado no Wii U, “Affordable Space Adventures” é um jogo de aventura e exploração onde você controla uma nave por um planeta misterioso e deve usar o gamepad do console para ativar suas habilidades. Esses “poderes” vão sendo lentamente liberados ao jogador e, no final, você sente como se estivesse de fato pilotando uma nave e navegando com ela através de um painel virtual. Talvez uma adaptação pudesse substituir os comandos da touch screen por botões, mas fica a dúvida se funcionaria da forma tão elaborada como funciona. Na tradução, algo seria perdido.

O que faz de “Affordable Space Adventures” o jogo “mais Wii U” de toda esta lista. Os gráficos são belos e a trilha sonora é muito boa, mas o destaque está no level design e na solução de enigmas. Ao final o jogo apresenta uma interação curiosa com o Miiverse. Missões bônus também são liberadas com objetivos bastante difíceis para quem quiser extrair um pouco mais da jornada. Um jogo imperdível que, ao que me parece, ficará perdido na biblioteca do videogame.

 

Axiom Verge

Desenvolvido por um único programador, Thomas Happ, “Axiom Verge” segue o estilo metroidvania que tanto se popularizou no cenário indie de uns anos para cá – especialmente depois que os grandes estúdios praticamente abandonaram o gênero. Entretanto, ao invés de adicionar um twist visual, com gráficos coloridos ou desenhados a mão, o jogo se mantêm fiel as origens. O visual retrô é plenamente remanescente daquele período entre a geração 8-bit e 16-bits, uma coisa meio MSX ou Turbografx.

Se você já jogou algum Metroid 2D, estará em lugar comum. “Axiom Verge” mantêm todas as tradições, no labiríntico mapa, progressão casual de itens, muito vai e vem e algumas batalhas com chefões criativas, apesar de fáceis. O jogo utiliza o gamepad para exibir um mapa e selecionar armas com mais agilidade. Fãs do estilo não podem perder. Quem não se considera tanto assim, entretanto, pode vir a ficar frustrado com o complexo mapa e segredos. Não é um metroidvania para iniciantes, com certeza.

 

Child of Light

Um RPG 2D feito pela Ubisoft Montreal, dos recentes jogos Rayman, utilizando a mesma engine que enfatiza visuais desenhados a mão, “Child of Light” vai além da mera exuberância gráfica. Sim, é um jogo belíssimo, com uma trilha sonora caprichada e uma boa história para amarrar tudo.

Mas além de toda essa produção robusta, tem um elaborado jogo de exploração simples, mas com bastante liberdade. E o combate em turnos remete aos antigos jogos da Era SNES, que pode agradar quem gosta do estilo e não quer necessariamente jogar mais uma produção com gráficos retrô. O início da aventura em si é um pouco lento e chato, mas depois que a história avança o jogo se torna uma experiência bastante agradável e requintada.

 

Elliot Quest

Mais um jogo de aventura retrô que se tornaram tão comuns após “Mega Man 9” abrir as portas das possibilidades, “Elliot Quest” tem elementos metroidvania, mas a inspiração direta é de “Zelda II: Adventure of Link”. O malfadado episódio da cultuada franquia teve a reputação melhorada ao longo do tempo e fãs do seu estilo irão se sentir em casa.

“Elliot Quest” tem visual bastante simples que remete a um meio termo entre o Atari e o Nintendinho. Mas a jogabilidade é muito bem feita e as fases elaboradas e cheias de segredos. Você explora um mapa livremente ao estilo “Zelda II”, com inúmeras entradas escondidas para você descobrir, mas o grosso da aventura acontece em cenários bidimensionais com múltiplas rotas. O jogo é bastante difícil, mas sem exagerar.

 

FAST Racing Neo

Sequência de um jogo do WiiWare que sequer figurou na lista anterior como menção honrosa, devido as suas limitações de opções e dificuldade exagerada, “FAST Racing Neo” corrige todos esses erros e melhora onde acertava. O jogo tem mais variedade de modos – inclusive multiplayer online! – maior número de pistas e campeonatos, além da opção de baixar um pacote de expansão via DLC a preço razoável, e, claro, uma dificuldade que não faz você desistir de continuar jogando.

O jogo também é ainda mais impressionantemente belo que seu antecessor, além do esperado pelo salto de geração. “Racing Neo” abusa dos enfeites e efeitos especiais para dar a impressão de um título mais elaborado do que realmente é – algo que sua desenvolvedora, Shin’en Multimedia, é excelente. Órfãos de F-Zero ou WipeOut irão adorar. Visualmente o jogo evoca mais o  estilo da franquia popularizada nos consoles da Sony, mas em essência joga e controla como o clássico da Nintendo. Ah, e roda em 60 fps, acima de tudo!

 

Human Resources Machine

Desenvolvida pela Tomorrow Corporation, que fez fama no WiiWare com o clássico “World of Goo”, “Human Resource Machine” esconde por detrás de seu visual cartunesco um puzzle incrivelmente inteligente de matemática e lógica.

A proposta do jogo é você organizar uma linha de trabalho dentre de inúmeros andares do prédio de uma empresa para produzir de acordo com as instruções dadas pelo RH. Portanto você estabelece um “código de processamento”, ou ordem com o qual os eventos serão realizados, e vê se dá certo. A ideia é simples, mas resulta em alguns desafios bastante difíceis. Uma experiência particularmente única, que talvez só vá encontrar apreço nos fãs de jogos matemáticos, mas que ainda assim é uma produção extremamente divertida.

 

Shantae: Half-Genie Hero

Quarto jogo da franquia indie que surgiu em um clássico cult do Game Boy, “Half-Genie Hero” é o primeiro Shantae em HD. Se você já jogou algum jogo da série, sabe muito bem o que esperar. Eis um título de exploração 2D com foco em plataforma. Apesar das fases estarem divididas, ao invés de interligadas (como no jogo original), você irá frequentemente voltar para os mapas para usar habilidades novas para encontrar novos itens que o farão progredir na história. Portanto, apesar do jeitão Super Mario do level design, a experiência tem elementos de metroidvania.

Os outros dois jogos anteriores (“Risky’s Revenge” e “Pirate’s Curse”) estão disponíveis para download no Wii U. E, francamente, “Shantae and the Pirate’s Curse” é um jogo melhor, apesar da ausência das habilidades de transformação tirar um pouco do charme da franquia – elas retornam em “Half-Genie Hero”. Mas considero que este título é a melhor experiência para se aproveitar no Wii U, por ser desenvolvido em HD com gráficos coloridos que saltam aos olhos.

 

Shovel Knight

Inspirado em clássicos da Era 8-bits, como uma mistura de Mega Man e Castlevania (com uma pitada de “Duck Tales”), “Shovel Knight” é talvez um dos maiores clássicos dos últimos anos. E o fato de ser produzido pela indie Yacht Club Games diz muito de suas qualidades. Assim como “Mega Man 9” no WiiWare, este jogo – que também está disponível para muitas outras plataformas – joga como se fosse um pérola perdida do Nintendinho, lançada com 30 anos de atraso. O jogo nasceu no Kickstarter, mas ganhou um público muito além dos seus investidores iniciais. No Wii U, além de uma excelente conversão dos gráficos para o HD, você pode utilizar o gamepad como seletor de habilidades – uma excelente função.

“Shovel Knight” tem humor e charme, mas seu diferencial está no level design, tão criativo e bem elaborado quanto os grandes clássicos da Nintendo, Capcom e Konami de antigamente. Cada fase tem seu estilo, seus inimigos e desafios próprios. O jogo, apesar de curto, nunca perde o ritmo. E irá lhe convidar a jogar mais vezes, da mesma forma que você nunca largava Contra ou Ninja Gaiden antigamente. A trilha sonora também é muito boa, os gráficos são perfeitos dentro do estilo e a produtora ainda lançou novas campanhas com personagens novos. Ou, se você preferir, pode comprar o “Shovel Knight: Treasure Trove” que contém todas as três aventuras: a campanha original protagonizada por Shovel Knight, “Plague of Shadows” que é a mais fraca e “Specter of Torment” que tem uma aventura tão elaborada que acabou sendo lançada a parte também.

 

Steamworld Heist

Também disponível para 3DS (onde foi lançado primeiro), “Steamworld Heist” tem sua melhor versão no Wii U, pois os gráficos em HD tornam a exploração das fases algo muito mais natural. De qualquer forma, repito aqui a descrição que fiz no meu artigo para o eShop do portátil já que a experiência é virtualmente a mesma:

“Heist” é um jogo de ação em turnos. Você movimenta sua equipe (inicialmente apenas a robô Piper, mas logo você contrata outros) e a posiciona no cenário bidimensional, se escondendo atrás de objetos para se proteger durante o turno dos inimigos. Uma enorme variedade de armas lhe permite atirar na hora do ataque com diferentes técnicas por robô, mas os variados inimigos não são apenas peças de tiro ao alvo. A inteligência artificial do jogo é bastante avançada e irá lhe trazer bastante desafio nas dificuldades mais avançadas. O jogo tem uma dinâmica ágil e muito inteligente, além de uma boa trilha sonora e uma longa campanha principal.

 

The Fall

Um jogo de aventura focado na imersão, “The Fall” narra a misteriosa história de uma armadura controlado por um I.A. tentando salvar o corpo humano dentro dela após um acidente. Você explora um local abandonado munido apenas de uma arma e a habilidade de interagir com o cenário. O jogo pode aparentar ser um survival horror de tiro (de longe parece “Dead Space” em 2D), mas ele é um jogo de aventura onde os segredos serão revelados em uma meticulosa exploração e atenção aos detalhes.

Os mais impacientes podem se frustrar, pois “The Fall” não dá dicas óbvias e acredita no jogador ter a capacidade de encontrar seu próprio caminho. Não é um jogo perfeito, algumas soluções são um pouco absurdas demais, mas de uma forma geral é uma aventura bem feita e inteligente. A história é interessante, os visuais são caprichados e parte sonora merece destaque.

Menções honrosas: Seleciono abaixo outros dez jogos que também considero dignos de destaque, mas não o suficiente para listar neste meu Top 10. Alguns deles apenas ficaram de fora por meros detalhes, mas recomendaria ainda assim. Seriam eles: “Bit.Trip presntes… Runner 2”, “Chariot”, “Chronicles of Teddy: Harmony of Exidus”, “Lone Survivor: The Director’s Cut”, “Nova-111”, “OlliOlli”, “Shantae and the Pirate’s Curse”, “Steamworld Dig”, “Swords & Soldiers II”, “Xenodrifter”.

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