Review: “Uma Razão para Viver” de Andy Serkis

Narrativa bastante documental da história de Robin Cavendish, jovem que durante os anos 50 foi infectado por poliomielite e perdeu o movimento do corpo e capacidade de respirar sem o auxílio de máquinas. À época, pessoas com deficiência desse nível raramente viviam mais do que alguns meses e jamais conseguiam sair do hospital. Cavendish quebrou barreiras ao se tornar um dos “responautas” com maior longevidade e ter servido de inspiração pública para aumentar a mobilidade de outros que estavam em sua mesma condição.

“Uma Razão Para Viver”, tradução piegas para o delicado “Breathe”, é produzido por Jonathan Cavendish, filho de Robin e sua esposa Diana. O filme conta a relação de seus pais, mas surpreende por não cair no melodrama. A história tem um clima bastante otimista e bem humorado por boa parte de sua duração, o que é surpreendente e sinal de maturidade do roteiro de William Nicholson. Ao final, que retrata o falecimento de Robin, as cenas são um pouco mais dramáticas, mas sem exageros ou “cenão de novela” com todo mundo chorando com um violino ao fundo. O filme trata a história real com respeito e fascinação, com um texto mais preocupado em mostrar a importância de Cavendish e suas invenções para melhorar a vida de outras pessoas, além da própria.

O filme é dirigido por Andy Serkis, famoso por suas incríveis atuações de motion capture na trilogia Senhor dos Anéis ou na recente Planeta dos Macacos, aqui em sua estreia atrás das câmeras. Além de – provavelmente – ter recebido um bom orçamento para as belíssimas tomadas de cenários na África do Sul e Espanha, Serkis não exagera nos maneirismos. Sua direção é competente, não o maior destaque do filme, mas que deixa bastante oportunidade para o texto e as atuações respirarem.

Andrew Garfield (o Homem-Aranha de “O Espetacular Homem-Aranha”) interpreta Cavendish. Esse tipo de papel, em que o ator interpreta alguém com deficiência, geralmente cai no gosto da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, portanto atores tendem a se esforçar bastante – às vezes até demais, escorregando em trejeitos e exageros. Garfield faz uma atuação simples e delicada, mas com momentos bem fortes. Ao seu lado temos Claire Foy, a Rainha Elizabeth II de “The Crown”, que também merece créditos por não exagerar nem cair aos prantos de dez em dez segundos. Tanto na direção, texto e atuação dos protagonistas, “Uma Razão Para Viver” respeita a história real sem aquela obsessão em fazer o público chorar, e isso é algo muito respeitável.

O resto do elenco conta com Tom Hollander, Hugh Bonneville, Ed Speelers e Diana Rigg.

Anúncios
Esse post foi publicado em Filmes, Reviews e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Review: “Uma Razão para Viver” de Andy Serkis

  1. Anônimo disse:

    Ótimas crítica, esse filme é muito bom, vale a pena demais! ^^

    Curtir

Comente aqui...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s