Review: “A Guerra dos Sexos” de Jonathan Dayton e Valerie Faris

Inspirado em famosa partida de tênis real ocorrida nos anos 1970, “A Guerra dos Sexos” conta o embate ideológico entre a tenista Billie Jean King com o machismo dos colegas masculinos de esporte. A história também serve de pano de fundo para descobertas da sexualidade da esportista, mostrando que para minorias a simples questão do “ser igual” ao estabelecido como “superior” é de fato uma batalha constante. Que melhorou muito nas últimas décadas, mas o filme caiu como uma luva para certas questões da atualidade. Pois não melhorou tanto quanto deveria.

Billie Jean King começa o filme vencendo mais um grand slam, após uma sucessão de vitórias que a levaram ao topo do ranking mundial, portanto resolveu exigir que a Association of Tennis Professionals pagasse as tenistas o mesmo prêmio que os homens – a diferença entre valores era algo próximo a 80%. Com a negação, ela juntou um time de mulheres para fundar a Women’s Tennis Association junto com a World Team Tennis – fundada pelo marido Larry King (não aquele da televisão, um outro Larry King). Ao levantar a bandeira do feminismo e igualdade salarial, Billie Jean criou alguns inimigos e chamou a atenção de Bobby Riggs, famoso tenista dos anos 50, que a convida para uma partida amistosa para provar que homens são melhores que as mulheres, portanto merecem receber mais.

Em quarenta anos de avanços sociais, é óbvio que questões de igualdade salarial e representatividade melhoraram para as mulheres. Mas não o suficiente para tais valores de fato se tornarem igual a dos homens. Como a própria Billie Jean King rebate no filme, não é sobre ser melhor, apenas sobre ter o mesmo respeito, e isso ainda não foi alcançado. Mais absurdo ainda é ver que em plena década de 2010 alguma das retóricas representadas ainda tenham uso. Coisas como “homens são mais fortes” ou “mulheres não tem equilíbrio” ou “feministas não raspam as pernas” ou qualquer generalização absurda que serve apenas para desviar o foco no debate e criar um discurso limitado que impossibilita as mudanças. É triste ver que algumas pessoas ainda pensam como figuras caricatas dos anos 70 – ou 60, ou 50, ou 40. Os tempos mudaram, as exigências ficaram maiores e mais importantes, e simplesmente negar isso pela gratuidade de manter o status quo é estúpido e redundante. Insisto: as coisas melhoraram em quarenta anos, apesar dos movimentos contra, portanto continuarão melhorando. O mundo é formado pelas Billie Jean King da vida, que pensam para a frente, não pelos Bobby Riggs que só olham para trás.

Os personagens reais brincaram com o carnaval midiático da exibição.

O filme também entra na questão da sexualidade, quando a tenista se envolve com uma amiga. Aparentemente a história real foi um tanto quanto mais conturbada do que a retratada no filme, o que é uma pena. Idealizar um dilema não o torna mais digno. As emoções da protagonistas são justas, apesar dos problemas. O roteirista Simon Beaufoy parecia estar com receio de não mostrar todas as figuras femininas como ideais o que, novamente, é um erro. Pessoas corretas tomam atitudes erradas também. E a direção de Jonathan Dayton e Valerie Faris (responsáveis por “Pequena Miss Sunshine”) tem bons momentos visuais e sabe contar a história do embate feminista com propriedade, mas demonstra certa insegurança e infantilidade em como enquadrar o tema da sexualidade no meio disso tudo.

Billie Jean King é interpretada por Emma Stone, muito bem no papel, mas com apenas um momento de destaque no clímax. O resto do filme ela ainda é… Emma Stone demais! O que é ótimo, quem não gosta da Emma Stone? Mas ela não se entrega à personagem como já mostrou em filmes como “La La Land”. Bobby Riggs é interpretado por Steve Carell, que usa a sua persona comediante para dar ares de cafonice aos momentos de palhaço machista do personagem. Ele se sai melhor nos momentos utilizados para humanizar a figura do homem amargurado pelo seu vício em jogatina. O resto do elenco tem Andrea Riseborough, Natalia Morales, Elisabeth Shue, Sarah Silverman, Austin Stowell e Bill Pullman. Nenhum destaque.

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