Review: “Três Anúncios Para Um Crime” de Martin McDonagh

Dirigido por Martin McDonagh  (de “Na Mira do Chefe” e “Sete Psicopatas e um Shih Tzu”), “Três Anúncios Para Um Crime” pode se enquadrar como comédia negra – assim como os trabalhos anteriores do diretor. Mas o filme tem grandes doses de drama, mesclado com um humor por vezes desconexo com a dificuldade dos personagens. Se isso soa como uma bagunça temática, meio que é. Mas como esforço de encontrar uma mensagem positiva na história trágica de seus personagens, a direção encontra seu caminho de qualquer forma. Assim como eles.

Protagonizado pela excelente Frances McDormand, ela interpreta uma mãe que aluga três outdoors em uma estrada perto de sua casa para denunciar o descaso da polícia de sua cidade pelo crime em que sua filha foi estuprada e morta. A partir dessa sua ação movida por um certo sentimento de vingança, outros membros da cidade passam a lidar com as consequências de sua insatisfação. A partir desse elemento controverso, a narrativa atira para vários lados. Como violência policial, racismo, apatia e, claro, no meio disso tudo, a resposta: empatia.

É tudo um tanto esquisito, mas a história chega a algum lugar ao menos. O filme tem um grande elenco de bons personagens. O xerife local, vivido por Woody Harrelson, tem câncer e argumenta que a doença o impediu de exercer seu trabalho com competência. Sua esposa (Abbie Cornish) está preocupado com sua condição e, ao passar por um momento difícil, tem dificuldade de entender as ações de uma mãe que teve a filha assassinada. Outro policial da cidade, vivido pelo ótimo Sam Rockwell, é uma figura muito odiosa (racista e homofóbico sem limites) que mora com sua mãe, uma sensacional Sandy Martin. O filho da protagonista Mildred (Lucas Hedges) também lida com consequências da atitude da mãe, mas a defende em casos de violência. Como a vivida por seu ex-marido (John Hawkes), que batia nela e agora está em um novo relacionamento com uma mulher muito mais jovem (Samara Weaving). E também temos Peter Dinklage como um conhecido de Mildred que tenta ajudá-la, apesar dela ser condescendente com ele.

Ufa! Quanta gente, hein? Sim e o elenco inteiro está muito bom e afinado, apesar dos destaques – McDormand, Rockwell e a surpresa Sandy Martin. E eles todos interpretam fortes personagens que tem espaço para crescer, graças ao roteiro que também é de McDonagh. A maioria dos personagens tem um arco e aprendem essencialmente a mesma mensagem: ódio gera mais ódio. E isso é um ciclo que não funciona, mas tem uma resposta para curá-lo através do amor. É piegas? Com certeza, mas no mundo atual duvido que alguém irá realmente questionar isso. Ao terminar a jornada de seus personagens em um ponto chave da história (sem spoilers), “Três Anúncios Para Um Crime” deixa ao público uma lição de moral importante.

Isso não significa que o filme não tenha problemas, como a já citada confusão tonal. Que, talvez, tenha sido a intenção do diretor, no final das contas. Às vezes atirando para o humor, para o melodrama, para a indagação, para sentimentos mais introspectivos refletidos em enquadramentos insinuantes. McDonagh coloca seu colorido elenco para passar por momentos complicados, sem caminhos fáceis para sua jornada, mas que chega a uma resposta otimista. E a sensação de que o filme, apesar de toda a bagunça e caos dos seus eventos, coloca a emoção deles em um ponto positivo é louvável.

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