Review: “O Destino de uma Nação” de Joe Wright

Talvez por coincidência, talvez por consciência histórica. Mas o cinema britânico tem estado em uma onda de revisitar a 2ª Guerra Mundial, particularmente a respeito da chamada “Operação Dínamo”, que evacuou inúmeros soldados isolados nas praias de Dunquerque, na França. Tivemos “Sua Melhor História“, que narra a produção de um filme fictício sobre a evacuação, e “Dunkirk“, que mostra especificamente o ocorrido. E agora temos “O Destino de uma Nação”, focado no primeiro mês do 1º Ministro Winston Churchill e a política que quase levou o Reino Unido a render-se a Adolf Hitler.

O papel de Churchill na História, claro, revelou-se como antagonismo a tirania de Hitler. Não que Churchill fosse bonzinho ou simpático, mas resistiu aos avanços do Terceiro Reich (que ia lentamente dominando o continente europeu) e conduziu a Inglaterra a liderança do conflito, convencendo os EUA a oficialmente participarem da guerra após os ataques de Pearl Harbor. E – perdão pelo clichê – o resto é História. Sem a “Operação Dínamo”, o exército britânico teria sido dizimado pelos alemães. Portanto, se o Reino Unido não se rende-se, teria sido facilmente invadido. O destino da Europa no século XX teria sido plenamente diferente. E, claro, Churchill não fez nada disso sozinho. Mas foi a voz que carregou para frente essa resistência.

O filme é bastante sombrio. Possivelmente inspirado em seu título original, “Darkest Hour” (hora mais sombria), a fotografia é escura e geralmente enquadra os personagens banhados em sombras. Boa parte da narrativa se passa em um bunker e todas as cenas no Parlamento britânico tem uma estranha luz que ilumina apenas um lado da sala. Claro, tudo isso produz um efeito esteticamente bonito, apesar de forçado. Mas condiz com a história, que mostra a política de bastidores e os conflitos internos de Churchill a respeito de suas dúvidas, medos e fracassos. O filme tem alguns ares de leveza, pelo fato do protagonista ter sido uma figura excêntrica mesmo, mas é carregado. Termina em um ponto otimista, ao menos.

A humanização de Churchill é eficaz. Ele é interpretado por Gary Oldman, ator camaleônico que basicamente faz de tudo – de épico histórico a filme do Batman. Sua atuação é boa e seus trejeitos eficientes. Particularmente, ainda preferi a versão de John Lithgow para o seriado “The Crown” (a primeira temporada se passa durante os anos 50, ou seja, bem depois dos eventos narrados aqui). Mas ele se esforça, como sempre, não faz apenas uma caracterização eficiente. Ajuda muito ter bons diálogos para ler, não é verdade? O roteiro é de Anthony McCarten, de “A Teoria de Tudo”.

O filme é dirigido por Joe Wright, que já havia filmado a “Operação Dínamo” em uma cena de “Desejo & Reparação“. Enquadramentos elegantes o diretor sempre soube fazer e aqui se sai bem. Já o ritmo peca um pouco e, francamente, fora a beleza estética em alguns momentos,  o resto do visual é bastante previsível. Não sei muito bem o que o levou a buscar Winston Churchill como inspiração artística, mas como disse antes, parece uma onda em cineastas britânicos. Talvez sejam reflexos do Brexit. Ou a falta de positivas lideranças políticas no mundo atual. Parece que os líderes atuais mais relevantes, infelizmente, parecem estar mais tendenciosos a repetir a retórica de ódio de Hitler. Se Winston Churchill não era santo, ao menos não era um fascista. Então sim, nesse aspecto, falta Churchill no mundo para berrar mais alto contra esse pessoal.

O resto do elenco conta com Lily James (“Cinderela”), Kristin Scott Thomas (“A Chave de Sarah”) e Ben Mendelson (“Rogue One”). Ninguém se destaca, sendo todos devorados por Oldman que se torna figura onipresente em todas as cenas.

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