Late to the Party: “Horizon: Zero Dawn”

O ano de 2017 foi muito bom para os videogames. O primeiro mês já começou com alguns pesos pesados muito elogiados, como “Resident Evil 7“, “Yakuza 0” e “Nioh”. E até Março já havia recebido”The Legend of Zelda: Breath of the Wild” e “Nier: Automata”, todos jogos que entraram na lista de melhores do ano em praticamente qualquer lista. No meio dessa avalanche de qualidade que foi o primeiro trimestre surgiu o elogiado “Horizon: Zero Dawn”, produzido pela Guerrilla Games (da franquia Killzone), que tentava algo levemente diferente com as mecânicas open world. Para os usuários de PlayStation 4, praticamente um “GOTY instantâneo”. Só que havia uma pedra no meio do caminho a surgir algumas semanas depois: o já mencionado novo Zelda.

Muito se comparou entre os dois jogos à época, mas a História teve uma tendência unânime: “Breath of the Wild” dominou as premiações, enquanto que “Horizon” – muito citado – ficou em segundo plano. Como alguém que só embarcou no universo desta nova franquia recentemente e após já ter jogado revolucionário Zelda, para mim a diferença é clara sobre qual jogo é superior. E “Horizon” perde muito de seu charme na comparação.

O jogo se passa em uma Terra no futuro distante (algo próximo a 2.300 d.C.). Você controla Aloy, uma menina abandonada cuidada por um homem nas montanhas nevadas de uma região dominada por tribos primitivas. Essa humanidade sobrevive em um ambiente dominado por máquinas animalescas, que se assemelham a dinossauros. Parte da jornada de Aloy envolve descobrir de onde vieram esses robôs e o que aconteceu com a nossa civilização. O resultado é bastante óbvio (spoiler alert): nós criamos tais máquinas como armas de guerra, a I.A. tomou conta e quase destruiu nosso planeta. Os sobreviventes de nossa espécie são uma geração de crianças que surgiram em um bunker e foram protegidas, inicialmente, para repopular o planeta. Por conta disso celebram a “All-Mother”, que na verdade é uma montanha, como divindade, pois é de lá que eles vieram.

A história não tem grandes surpresas, mas é bem construída. Cria um cenário crível para o ambiente incrivelmente inusitado do jogo. “Horizon” não é o primeiro jogo open world em que você explora ambientes selvagens munido de arco e flecha. Lembra muito o “Tomb Raider” de 2013 nesse aspecto. Você coleta material de plantas e animais para construir munições e poções além de melhorar suas armas. Entretanto, os dinossauros robôs são inimigos criativos e criam uma realidade nova. E isso conta muito a favor do jogo! Também ajuda que a protagonista Aloy é interessante e sua jornada em busca de sua origem culmina em uma cena final emocionante, que conclui seu arco de maneira madura.

No que diz respeito a jogabilidade em si, o jogo tenta pouco. O cenário é enorme, cheio de muitos cenários iguais (apesar da variedade climática, com selvas, montanhas e desertos) e uma abundância de coisas aleatórias para coletar no mapa. E, óbvio, sidequests repetitivas, por que Deus nos livre de jogos open world não botarem você para ficar andando para lá e para cá fazendo a mesma coisa sempre! As missões centrais da história são muito boas, mas as secundárias cansaram. Principalmente as que envolvem você procurar uma personagem perdido. Vá até onde ele foi visto pela última vez, use sua “visão de detetive” (Aloy ou Batman?) e siga os pontos brilhantes que aparecem na sua frente. Isso não é exploração, é seguir um caminho pré-definido e tira completamente o impulso do jogador de descobrir algo.

Aí entra “Breath of the Wild”. Muito já foi dito sobre este jogo no espaço de menos de um ano em que ele provocou tsunamis de elogios. Mas o central eu repito: o novo Zelda revolucionou a forma como exploramos o mapa de um jogo. Ao invés de lotar o cenário com um monte de coisas que surgem como ícones na sua frente, transformando o jogador apenas em um “seguidor de pontos”, a Nintendo criou uma Hyrule enorme e complexa, cheia de coisas para descobrir no seu ritmo, no seu tempo, na sua vontade. Não era apenas um open world por que você você escolhia a ordem de objetivos pré-definidos. O mundo era realmente aberto, pois você que ia abrindo ele conforme a sua curiosidade lhe impulsionava. Foi brilhante, histórico e “Horizon” simplesmente virou uma produto de outra Era na comparação. Apesar de ter saído algumas semanas antes, tornou-se arcaico.

A exploração manual também é limitada. Em Zelda, você podia escalar qualquer cenário livremente. Em “Horizon”, Aloy era limitada a muros que ela não podia escalar (apesar de estarem a altura de um pulo) e só podia segurar em beiradas grosseiramente marcadas com tintas neves ou brancas. Em 2016, talvez isso fosse aceitável. Agora em 2017, beira uma paródia a videogames. Até o recente “Assassin’s Creed Origins” – que teve meses para aprender algo com “Breath of the Wild” – evitou isso. Mas as limitações de “Horizon” não tiveram esse luxo e o jogo fica estranhamente limitado nisso. A exploração é muito menos divertida quando você fica o tempo inteiro se perguntando “por que diabos eu não posso ir para lá?”

Claro que “Horizon” acerta em alguns pontos. Além do impressionante e colorido visual, rico em detalhes e efeitos de luz extremamente realistas. Mas o destaque vai para o combate. Apesar de alguns duelos serem extremamente cansativos, com monstros muito mais poderosos que Aloy mesmo no nível máximo. Mas, de uma forma geral, a variedade de armas, armadilhas e técnicas, além de inimigos que atacam de maneiras diferentes, fazem do duelos altamente estratégicos e muito criativos. Nada de “sair apertando botão até o inimigo morrer”, como no citado “Assassin’s Creed Origins”. O combate é o auge do jogo, apesar de, insisto, às vezes ser tremendamente frustrante.

Ainda assim, para um jogo open world, ficou faltando muita coisa. O mundo de “Horizon: Zero Dawn” é criativo e bem bolado, mas óbvio e limitado de se explorar. E em uma realidade pós-“The Legend of Zelda: Breath of the Wild”, beira o arcaico. Apesar de bem produzido e caprichado visualmente, fica difícil querer voltar para um cenário em que você simplesmente segue ícones no mapa atrás dos mesmos objetos sempre. O jogo recebeu um pacote de expansão, “The Frozen Wilds”, que adiciona mais do mesmo. Para quem curtiu, longe de ser um problema. Para quem deseja algo além, ficou devendo. Fiquei com a sensação que “Horizon: Zero Dawn” sequer seria candidato a “jogo do ano” em um ano qualquer onde outros open world competentes como “The Witcher 3” ou “Grand Theft Auto V” existam. No mesmo ano da revolução de “Breath of the Wild”, não sei nem se carece de uma menção honrosa.

Imagem meramente ilustrativa.

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