Review: “O Paradoxo Cloverfield” de Julius Onah

O primeiro filme Cloverfield lançado em 2008 – subtitulado como “Monstro” no Brasil – não causou o impacto que sua famosa campanha de marketing (um viral antes do termo viral existir) insinuava. E demorou 8 anos para que outro filme utilizasse a marca novamente, apesar de não ter conexão narrativa alguma com o lançamento anterior. Chegamos agora em nosso terceiro episódio da suposta antologia com “O Paradoxo Cloverfield”, distribuído no Netflix de surpresa como se bastasse isso para vender um filme.

A historia tem conexões frágeis com o “Monstro” original, mas creio que qualquer um que ver isso aqui como um sequência – ou prelúdio – de eventos estaráperdendo seu tempo. O mundo vive uma crise de energia (algo jamais aludido no primeiro filme ou em “Rua Cloverfield, 10”) e para isso as nações do mundo se unem e mandam varios especialistas em praticamente qualquer coisa para uma estação espacial. Lá eles devem tentar ativar uma máquina tipo aquela do Boson de Higgs que, se der algo errado, pode provocar uma distorção na fábrica do espaço tempo. Mas, se der certo, é energia gratuita para toda a Terra para sempre!! Adivinha qual acontece?

A narrativa segue absolutamente todos os clichês de filmes suspense em estação espacial. Todos. Chega a ser patético. Cada um dos tripulantes (fluentes em mandarim, apesar da única chinesa não saber falar nenhuma outra língua) se afasta em determinado momento e alguma coisa sem sentido acontece e mais tarde ele ou ela morre. E assim vai, um por um, até que só sobre o casal principal (spoiler alert? Eh…) por que sim, tem que ser assim, só pode ser assim, o roteiro não quer arriscar. As mortes são sempre espetaculares e sem sentido. O filme tenta explicar uma lógica por detrás do absurdo que, de certa maneira, explica o absurdo por detrás dos outros episódios Cloverfield. Mas não funciona para empolgar. Apenas cria mais furos, mais impossibilidades, e desfaz o mistério de uma antologia que nunca foi focada nesse tipo de mistério. Ou alguém realmente queria saber de onde veio o monstro de 2008? Ele veio. O filme aconteceu. Era o que bastava.

“O Paradoxo Cloverfield” é extremamente sem criatividade, beira ao monótono, e sua conexão ao tal “universo Cloverfield” apenas serve para deixar mais pontas soltas. Como apenas uma série de eventos sem sentido em uma estação espacial, já é fraco o suficiente. Como um historia que ” explica” todos os outros “paradoxos Cloverfield” que a gente viu antes, é absolutamente inútil. A direçãoé de Julius Onah, que já dirigiu inumeros curtas, e segue a tradição do produtor J. J. Abrams em colocar descobertas por detrás da marca. Um Matt Reeves ele não tem jeito de ser. Em relação aos outros dois Cloverfield, esse aqui é o mais mal dirigido e de longe.

O elenco é encabecado por Gugu Mbatha-Raw (“A Bela e a Fera”), se esforçando o maximo que pode para carregar a bagunça. Sua mensagem no climax para outro personagem realmente emociona e os méritos são dela. David Oyelowo (“Selma”) é um capitão sem presenca. Daniel Bruhl (“Capital America: Guerra Civil”) é um alemão suspeito. John Ortiz (“Kong: A Ilha da Caveira”) pode ter nascido em Nova York, mas aqui vive um brasileiro (!!) cuja única característica é que ele reza. Chris O’Dowd é o alivio cômico que me fez ficar na dúvida se “O Paradoxo Cloverfield” não era uma paródia, no final das contas. Ziyi Zhang é a chinesa que só fala chinês. Elizabeth Debicki aparece apenas para instruir confuo na trama.

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