Review: “Aniquilação” de Alex Garland

Toda forma de vida é regida por um princípio básico: o de sobreviver. De uma simples ameba a nós complexos humanos, existe um desejo absolutamente natural – e biológico – de preservação da espécie, uma busca por continuar espalhando vida pelo planeta. Mas, claro, esse mesmo movimento que busca a vida pode transformar em morte. Vírus que destroem seus hospedeiros. Células que criam tumores. Ou a autodestruição, o impulso que Freud chamou de “desejo à morte”, que leva uma pessoa a fumar, por exemplo. Vida e morte andam juntas, inclusive em seus impulsos mais primordiais.

O diretor e roteirista Alex Garland (do incrível “Ex-Machina“) pegou o livro de Jeff VanderMeer e produziu um sci-fi de terror kubrickiano, cheio de imagens fortes e psicodélicas, fazendo analogia a essa dualidade entre a vida e a morte. A premissa é simples: um meteoro caiu em uma parte específica do planeta e criou um campo misterioso – chamado de Shimmer, “brilhar” – para onde são levados soldados que não voltam mais. Um deles volta e vai direto até a casa de sua mulher que achava que ele estava morto. Ela, também ex-militar e bióloga, resolve explorar o local com um grupo de cientistas para tentar ajuda o marido.

Chegando lá, claro, um monte de coisa esquisita acontece. Todas tem uma explicação simples, ou ao menos racional. Diferente de certos filmes do gênero, o roteiro de “Aniquilação” nunca parece estar tentando explicar as coisas ao espectador. Cientistas conversam também, sabe? E se nunca a loucura dos eventos é firmemente delineada (dependendo da sua interpretação), as imagens e ideias lançadas ao longo da narrativa ficam na sua cabeça. E, se você estiver disposto, vai fundo na roda de amigos discutir vida e morte em seus princípios celulares! Ou não… O que importa é que Garland construiu algo que fica e, assim como seu trabalho anterior, propõe discussão. É para isso que sci-fi existe e ele parece se firmar como um dos maiores da atualidade nesse estilo.

Não que “Aniquilação” tenha algo a ver com “Ex-Machina” e ele está apenas se repetindo. São resultados muito diferentes. “Ex-Maquina” é mais argumentativo, com diálogos e debates entre os personagens. “Aniquilação” usa de fortes imagens, algumas extremamente surreais, para reforçar algumas ideias sugeridas pelos personagens. O resto é contigo. Mas, como eu disse, as sugestões são o suficiente para fazer você ver certas questões – como o princípio autodestrutivo do ser humano – de uma maneira diferente.

Girl power!

O elenco é liderado por Natalie Portman, completamente fora de sua zona de conforto, mas bastante eficiente. Repare como ela mescla bem o impulso pela vida (de ajudar o marido) e as cenas de destruição (em que ela prejudica seu casamento nos flashbacks). Ao seu lado temos a monótona Jennifer Jason Leigh (“Os Oito Odiados”), que não consegue dar vida ao conflito de sua personagem – ou talvez tais cenas tenham sido cortadas? Gina Rodriguez (“Jane the Virgin”) é uma paramédica durona, Tessa Thompson (“Thor Ragnarok”) uma ingênua PhD e Tuva Novotny (“Comer, Rezar e Amar”) a única companheira de grupo que a protagonista de Portman parece interessada em se abrir. E reparou nesse elenco? Sim, são cinco mulheres cientistas no elenco central de um sci-fi de terror! Eu tenho quase certeza absoluta que isso nunca foi feito antes. O que é bem legal e diferente.

Oscar Isaac (que também fez “Ex-Machina”) é o marido da protagonista.

Anúncios
Esse post foi publicado em Filmes, Reviews e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

Comente aqui...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s