Review: “Tomb Raider: A Origem” de Roar Uthaug

Sigo a franquia Tomb Raider desde sempre. Literalmente. Sim, sou daqueles fãs que vai se gabar de ter jogado o clássico primeiro lançamento em 1996, num computador Pentium 133MHz pelo MS-DOS. E assim sigo desde então, passando pelos buracos de 2003, o primeiro reboot de 2006 e o recente de 2013. Era um mero adolescente quando assisti a primeira adaptação cinematográfica de 2001, com uma Angelina Jolie mais famosa por ser uma ganhadora do Oscar que fazia maluquice do que… Bem, por ser uma lenda moderna de Hollywood. Portanto chego a esta nova versão com uma certa bagagem, digamos assim, ao longo desses mais de vinte anos.

“Tomb Raider: A Origem” é claramente inspirado no videogame de 2013, muito polêmico à época entre alguns fãs por ter fugido da interpretação mais aventureira de Lara Croft e focado em suas origens como sobrevivente de situações complicadas. Talvez esse pessoal vá ficar um pouco de nariz em pé. É o mesmo pessoal que chia por aí “por que Angelina Jolie não é mais Lara Croft?”, ignorando que se passaram quinze anos desde a última vez que a atriz esteve no papel? Sei lá. Acho que os fãs mais recentes irão curtir mais. O filme beira uma adaptação direita que, assim como tantas adaptações literárias, tomou liberdades criativas. Mas a base da história é a mesma. Lara Croft é uma jovem herdeira ricaça parece repudiar sua herança familiar e tenta levar uma vida normal em Londres. Mas ainda não superou a morte do pai e, ao descobrir um segredo de seu passado, vai procurá-lo na ilha japonesa perdida de Yamatai, onde ele foi tentar descobrir uma tumba.

O roteiro de “Tomb Raider: A Origem” corrige um erro do jogo que lhe inspirou: ao invés de Lara ser uma mulher perdida em uma ilha tendo que aprender a sobreviver no meio de pessoas violentas, aqui ela é a agente central da história; ela quer ir para a ilha, quer encontrar o pai e – a partir de uma certa reviravolta no segundo ato – passa a tomar todas as atitudes que movem a história adiante. É bom ver um roteiro de ação com uma mulher protagonista em que ela de fato move o enredo, como aconteceu recentemente também com “Mulher-Maravilha“. Mesmo nos filmes da Angelina Jolie, sua Lara Croft era mais “descoberta pelos vilões” do que ia atrás deles.

Isso não significa que a história não tenha problemas (o clímax é longo demais), mas de uma forma geral é bastante competente e estabelece muito bem o arco da personagem central. Também faz um esforço razoável em estabelecer suas habilidades, antes de mostrar de onde ela aprendeu a usar arco e flecha ou dar certos golpes para matar vilões. A direção é de Roar Uthaug, de “A Onda”, filme desastre bastante competente, que aqui demonstra bom ritmo nas cenas de ação. Algumas tomadas visualmente interessantes acontecem, mas de uma maneira geral “Tomb Raider: A Origem” é no máximo competente. O que, em se tratando de adaptações de videogames, sabe como é… Sério, depois de “Warcraft” e “Assassin’s Creed“, isso aqui é “Casablanca”.

Alicia Vikander estrela como Lara Croft, dando força a uma interpretação muito mais agressiva que a heroína bonachona de Angelina Jolie. Não sei se ela irá marcar a personagem tanto assim, mas tem talento e carisma o suficiente para carregar o filme. O elenco também conta com Walton Goggins (“Os Oito Odiados”), um vilão bem bocó com mania de arregalar os olhos quando descobre algum segredo, e Daniel Wu (“Warcraft”) como o “Croft Boy” inútil da vez. Daniel Craig teve mais sorte em 2001, mas sinceramente, a história sequer precisava de um companheiro masculino a Lara – que vive cercada de homens o tempo inteiro, mas se sobressai a todos eles. O pai da heroína é vivido por Dominic West, que já foi o pai de Vikander em “Juventudes Roubadas”, e cumpre bem a função – apesar de algumas cenas de flashback bem bregas. Kristin Scott Thomas é a guardiã legal de Lara Croft.

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