Review: “Um Lugar Silencioso” de John Krasinski

O gênero de terror tem passado por uma boa fase nesta década. Sinto que, após uns anos 2000 saturados de remakes de terror japonês, overdose de torture porn e reboots de séries adormecidas, alguns bons diretores de Hollywood se cansaram e resolveram inventar moda. Talvez as coisas tenham melhorado com “Invocação do Mal“, que era bastante tradicional, mas era (então) um filme fora de franquia. A partir daí, as coisas andaram rumo à inventividade. E entre experimentos como “A Bruxa“, analogias feministas como “Grave” e fenômenos do debate social como “Corra!“, fica claro que o gênero está mais criativo do que nunca – e bem menos dependente dos seus serial killers mascarados. Tudo isso para dizer que “Um Lugar Silencioso” é mais uma boa novidade no estilo que não vinha recebendo a devida atenção criativa.

Ambientado em um futuro próximo onde monstros cegos, mas sensíveis ao som, caçam humanos que resolvem espirrar sem querer, “Um Lugar Silencioso” conta a história de uma família tentando sobreviver a isso. E, claro, em silêncio. A narrativa tem um evento inicial que serve para amarrar o conflito dos personagens, mas não tem conflito central em si. A história é estruturada de maneira simples, eficiente, sem explicar muito a origem dos monstros (mas dá para deduzir de onde eles vieram, com base em recortes de jornal que aparecem no cenário) e focando apenas nos personagens passando por situações do perigo.

Somado a isso existe o fato que o filme praticamente não tem diálogos falados (um total de DOIS, para ser exato) e até mesmo as poucas trocas de mensagens em linguagem dos sinais são curtas. E isso não reforça apenas o silêncio – que, claro, é fundamental – como também a simplicidade da narrativa. O que resulta em uma produção básica, mas ousada, focada em um gimmick interessante e no talento da direção e roteiro em lhe deixar tenso mostrando tão pouco. E escutando menos ainda.

O filme é dirigido por John Krasinski, que também assina o roteiro (junto com Bryan Woods e Scott Beck) além de estrelar e dirigir. Krasinski, famoso pelo seriado americano de comédia “The Office”, é uma boa liderança na frente das câmeras, mas como diretor realmente se mostrou muito atencioso aos detalhes. Não é fácil narrar uma história onde os personagens quase não falam, mas ainda assim expressam suas emoções e tem tempo para crescer em seus arcos narrativos. “Um Lugar Silencioso” não surpreende com suas reviravoltas, mas tem o impacto emocional necessário. E chega lá de maneira sincera e singela. Ou seja, um grande trabalho do diretor.

A verdadeira protagonista da história acaba sendo Emily Blunt, entretanto, que tem o trabalho de carregar o momento mais tenso da história – e, novamente, sem sequer poder fazer um único som, atuando apenas através da respiração, praticamente. Os jovens Millicent Simmons e Noah Jupe também se saem muito bem em seus papéis.

 

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