Review: “Vingadores: Guerra Infinita” de Anthony Russo e Joe Russo

O tal do Universo Cinematográfico Marvel está completando dez anos de existência, junto com o aniversário de seu primeiro produto: “Homem de Ferro”. Mas, claro, o marco real do experimento foi com o fenômeno de bilheteriaOs Vingadores“, lançado em 2012 e que alçou a trupe do Homem de Ferro, Thor e Capitão América ao estrelato. Causando inveja na DC e em qualquer outro estúdio cobiçando um universo cinematográfico para chamar de seu – a maioria fracassou vergonhosamente. E eis que, seis anos depois, finalmente veremos aonde leva aquele icônico gancho da cena pós-crédito que deixou os fãs na expectativa: os heróis enfrentando o vilão Thanos.

“Guerra Infinita” começa de onde “Thor: Ragnarok” parou – mais ou menos, mas é uma continuação direta do momento final deste episódio. Mas também dá continuidade ao mostrado nos superiores “Pantera Negra” e “Capitão América: Guerra Civil“. Nada disso importa muito, apesar de que quem não viu esses filmes vai ficar boiando de início, mas o propósito da história é tão simples que não requer esforço do roteiro em amarrar nada: Thanos quer encontrar seis Pedras do Infinito – uma delas ele já tem – para matar metade do Universo por que ele acredita em equilíbrio. E só. Esse é o plano do vilão e toda sua motivação.

Como todo mundo sabe, para um bom herói funcionar, temos que ter um bom vilão. Quer dizer, mais ou menos, já que a maioria dos filmes da Marvel tem vilões sem graça e seus heróis funcionam, não é verdade? De qualquer forma, acredito que o inverso também seja verdadeiro: para um bom antagonista render, temos que ter protagonistas que nos encantam. E se Thanos é até interessante de se acompanhar, por que devemos nos preocupar se, “no estalar dos dedos”, ele destruir metade do Universo? Gostamos de Tony Stark, Steve Rogers e T’Challa por causa de seus filmes anteriores, mas e aqui? A que eles vem?

Fica nisso o principal problema dos primeiros dois atos de “Guerra Infinita”. O roteiro, por mais simples e linear que seja, tem que ficar duelando com umas cinco histórias paralelas sendo narradas em uma cronologia “episódica” – o filme vai pulando de evento em evento sem amarrar nada muito bem – que simplesmente não encantam. Começamos com Thor, pulamos para Homem de Ferro com o Doutor Estranho, aí eles somem por uns 30 minutos enquanto acompanhamos novamente Thor com os Guardiões da Galáxia, antes de esbarramos na Feiticeira Escarlate com o Visão e, opa, aparece o Capitão América! Esse ritmo, que não chega a ser confuso ou mal editado, ainda assim não consegue ser sensato o suficiente para formar um arco em absolutamente nenhum personagem. Nem mesmo no Thanos, que acaba sendo o fio da meada da história toda. Seu único momento dramático envolve sua relação com Gamora, mas isso não é o suficiente.

E aí temos o clímax, que de uma certa forma serve de “clímax” para todo o Universo Marvel até o momento. Mas, para qual efeito? Sem dúvida ele encerra muitas histórias, mas estavam elas sendo levadas a isso em suas respectivas séries? Pois se “Os Vingadores” e até mesmo “Capitão América: Guerra Civil” conseguiam unir essas diversas narrativas em uma só, existia neles uma narrativa central que não jogava âncora em porto algum. Já “Guerra Infinita” parece querer cometer esse ato gratuitamente, sem ter muito respeito pelos filmes recentes ou mesmo querendo amarrar isso em algo introduzido neles. O final de “Pantera Negra” ou “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” em algum momento sinalizou o que acontece com os seus respectivos heróis aqui, por exemplo? E isso não vale só para eles – peguei exemplo dos lançamentos mais recentes – e sim para todos os personagens.

Festa da firma.

Ao final de tudo, “Guerra Infinita” soa gratuito e, francamente, anticlimático. Não constrói nenhum de seus personagens direito – nem mesmo Thanos – e não causa a sensação de que irá levar o Universo Marvel a nenhum lugar novo. O filme é dirigido por Anthony Russo e Joe Russo, que foram muito mais felizes lidando com o Capitão América sozinho. Aqui eles simplesmente administram a bagunça com uma cansativa overdose visual de efeitos de computador. Apesar de algumas cenas (principalmente no clímax) serem divertidas, de uma certa forma a estrutura formada por eles parece desconexa. As piadinhas dos Guardiões da Galáxia com Tony Stark simplesmente não combinam com o tom que o filme parece buscar.

O elenco é basicamente formado por tudo mundo da Marvel menos o pessoal do Homem Formiga, então vambora com listão: Robert Downey Jr comemorando sua década como Homem de Ferro em sua oitava atuação no papel (ufa!), Chris Hemsworth como Thor, Chris Evans como Capitão América, Mark Ruffalo como um Hulk que não vira Hulk (Oi? Era para essa preguiça narrativa ser engraçada?), Scarlett Johansson como Viúva Negra, Benedict Cumberbatch como Doutror Estranho, Tom Holland como Homem-Aranha, Chadwick Boseman como Pantera Negra e… Nossa quanta gente… Chris Pratt, Zoe Saldana, Karen Gillan, Tom Hiddleston, Danai Gurira, Gwyneth Paltrow, Benicio Del Toro, Don Cheadle, Elizabeth Olsen, Paul Bettany e… Quem mais? Ah tá, o Josh Brolin como Thanos. Ou seja, uma galera boa! Talvez o mais grandioso elenco da história do cinema Hollywoodiano. E ninguém, fora Thanos, deve ter mais do que dez minutos de cenas no total. Ou seja, um desperdício.

E não só de elenco…

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