Review: “Jurassic World: Reino Ameaçado” de Juan Antonio Bayona

“Jurassic World” surpreendeu o mundo com seu sucesso em 2015, pois além de ser um filme medíocre, deu revitalizada a uma franquia para lá de congelada no tempo. Colocou o nome do diretor Colin Trevorrow no mapa da LucasFilm para “Star Wars: Episódio IX” (algo que não durou muito), reforçou Chris Pratt como herói de ação e botou o mundo inteiro para debater a necessidade de uma cena em que uma heroína foge de um T-Rex usando salto alto. De qualquer forma fez sucesso e, claro, rendeu uma continuação. Que, para não surpreender ninguém, focou na mesma mediocridade que funcionou três anos atrás.

A história começa com uma visualmente interessante, mas narrativamente inútil sequência mostrando uns personagens que irão virar ração de dinossauro tentando resgatar restos mortais do Indominus Rex. Daí o filme pula para mostrar como a Ilha Nublar irá explodir junto com a erupção de um vulcão – não lembro de tal vulcão jamais ter sido citado em episódios anteriores, afinal, quem diabos constrói um parque temático numa ilha com vulcão?! – e os heróis Owen e Claire são chamados para voltar lá e salvar algumas espécies. Mas lembra daquela cena inútil do início que poderia muito bem ter sido substituída por uma linha de diálogo? Então, eles não querem apenas salvar os dinossauros, mas usar seus códigos genéticos para fazer novos dinossauros! Por que, claro, deu super certo da última vez… Né? Ai ai…

A narrativa segue a mesma linha da primeira sequência de “Jurassic Park”, “O Mundo Perdido”, com pessoas numa ilha tentando salvar dinossauros enquanto um bando de caçadores querem, na verdade, levar eles para o continente. E o filme também termina com criaturas jurássicas soltas da modernidade – no caso aqui dentro de uma mansão, que não é bem San Diego, mas não deixa de ser um local muito esquisito para ter dinossauros soltos. E, por conta disso, a história pouco surpreende. Existe uma revelação forçada envolvendo um dos personagens, mas nada que irá chocar alguém. Ou que tenha algum propósito na narrativa em si – talvez algo a ser desenvolvido no futuro? E nossos protagonistas parece que não saem do lugar. Não existe arco e construção de nada. A história não leva a lugar algum. No máximo a uma outra sequência, que pode inventar qualquer coisa, por que a essa altura do campeonato a série já lançou a lógica para escanteio definitivamente.

Um animal pré-histórico ou Bruxa Malvada do Oeste?

O que, surpreendentemente, se torna um positivo em “Reino Ameaçado”. Veja bem, este é um filme estúpido e sem sentido algum. Mas usa isso a ser favor para criar algumas cenas legais. Soma-se a isso a direção de Juan Antonio Bayona (“O Orfanato” e “O Impossível”), que é muito mais diretor que Colin Trevorrow, e temos alguns bons espetáculos visuais. Nada leva a lugar algum, o roteiro não quer saber de colocar os personagens em nenhum drama, e tudo é construído pela gratuidade das sequências idiotas de ação. Entretanto, tanto a direção quanto o roteiro parecem entender isso e focam nessa fórmula. Talvez seja isso que tenha feito “Jurassic World” surpreender a todos? Oferecer nada mais que espetáculo visual com dinossauros! E “Reino Ameaçado” entrega exatamente isso.

O filme é novamente encabeçado por Chris Pratt sendo Chris Pratt (mas ao menos com menos piadinhas machistas) e Bryce Dallas Howard sem salto alto. Engraçado, tem inclusive uma cena que foca nas botas dela pisando no chão. Teria sido uma referência? Além deles temos o retorno de Jeff Goldblum como Ian Malcolm – mas não espere muito mais que um cameo. As novidades ficam por conta de Isabella Sermon como a criancinha em perigo da vez, James Cromwell como o substituto de John Hammond, Rafe Spall como um vilão bobo, Justice Smith como um nerd com mania de berrar e Daniella Pineda como alguém que faz algumas coisas de vez em quando. Nenhum destaque. Nem mesmo o carisma de Pratt funciona muito bem aqui.

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