Review: “O Predador” de Shane Black

Um dos mais icônicos monstros do cinema, o Predador teve poucas oportunidades de brilhar. Se destacou no clássico em que estreou em 1987 dirigido por John McTiernan. Ganhou uma sequência razoável em 1990 que eu sempre gostei, mas a resposta da maioria é de repúdio. Entrou no limbo, voltou no ridículo “Alien vs Predador” em 2004 e na sua terrível sequência “Aliens vs Predador 2” e esta subfranquia também foi interrompida. Ganhou um reboot medíocre em 2010 chamado “Predadores” que não criou nenhum novo fã. Limbo novamente. E cá estamos com “O Predador” – que repete o nome do original, mas lembremos que “O Predador” de 1987 era apenas “Predator” (sem “The”) nos EUA.

Este novo filme é uma sequência direta dos dois primeiros episódios, meio que ignorando os encontros com o Alien (apesar de, oficialmente, eles serem considerados canônicos, mas isso não faz diferença alguma aqui). “Predadores”, claro, também é ignorado, já que seus eventos não impactam a vida de ninguém na Terra. Portanto considere “O Predador” um “Predador 3” se for lhe facilitar a compreensão da cronologia absurda de uma série que só aparece de dez em dez anos.

A história começa com uma nave de um Predador fugindo de outra nave de outro Predador do espaço. Opa, interessante! O que será que aconteceu? O filme explica mais tarde, mas já deixo bem claro que acho que essa ideia – Predador fugitivo no Espaço – seria um conceito muito mais interessante do que o apresentado aqui. Pois bem, um dos Predadores foge para a Terra, cai no México coincidentemente no meio de uma operação secreta com soldados (se tivesse mirado não acertava) e é capturado por membros de um grupo que investiga esses alienígenas. Tal grupo chama a Dra. Casey Bracket para ajudar na pesquisa, pois eles descobriram que tal Predador tinha traços de DNA humano, o que indica que os alienígenas estavam brincando com biogenética. Enquanto isso, o filho de um dos soldados do México recebe do pai uma máscara de Predador do correio por que, né, alfândega dos EUA deve ser bastante liberal com remessas vinda do México. Convenhamos!

São trios fios de narrativa que convergem no segundo ato, mas completamente bagunçados no primeiro ato. Não ajuda que a edição é um desastre. Repare na introdução da Dra. Casey, fica parecendo que colocaram ela para aparecer na metade uma cena de diálogo. Outros momentos esquisitos ocorrem com os personagens, como transições de um cenário para o outro e motivações muito mal explicadas. E lá no segundo ato uma reviravolta (revelada no trailer, mas pouparei aqui por ter mais respeito ao meu público que o estúdio do filme) leva a narrativa a novos rumos que não rendem absolutamente nenhum momento interessante. Estava mais curioso pela jornada do Predador fugitivo do que qualquer coisa que tenha acontecido no clímax…

A direção de “O Predador” ficou a cargo de Shane Black, de “Dois Caras Legais” e “Homem de Ferro 3”. Black também participou como ator do original – é justamente a primeira vítima do monstro. Dizer que sua direção não mostra a que veio é um eufemismo para um filme tão mal editado assim. As cenas de ação tem lá seus momentos, mas quando dois personagens param para conversar parece algo orquestrado por robôs. Esse também é o filme da série com o maior orçamento até então e isso fica evidente. Comparado com “Predadores”, por exemplo, o escopo é significativamente maior. Só que a história é fraca e não leva a franquia a nenhum lugar interessante. E o gancho final chega a ser patético em sua tentativa de vender a promessa de novas aventuras – na boa, faz um prequel do Predador fugitivo que talvez eu me importe mais!

O elenco é encabeçado por Boyd Holbrook, muito mais carismático como o vilão de “Logan” do que como herói aqui. Olivia Munn é a Dra. Casey que adora correr atrás de alienígenas – ao menos ele convence no papel. Jacob Tremblay, o excelente ator de “O Quarto de Jack”, interpreta o filho de Holbrook que está no espectro do autismo. Esse elemento é explorado pelo filme de uma maneira esquisita que eu não sei nem dizer se é mal feita ou mal intencionada mesmo… Mas não funciona. O resto do elenco que conta com futuras vítimas do monstro inclue Trevante Rhodes (“Moonlight”, bem simpático aqui), Keegan Michael-Key, Thomas Jane e Augusto Aguilera. Sterling K. Brown (excelente em “American Crime Story: The People vs O. J. Simpson”) é desperdiçado como um vilão chatonildo. Yvonne Strahovski (destaque em “The Handmaid’s Tale”) também é desperdiçada em um papel pequeno. Ou seja, grandes atores, mas somente Munn tem oportunidade de fazer alguma coisa.

“O Predador” é a enésima tentativa de Hollywood em fazer algo com um dos monstros mais interessantes concebidos. E, novamente, fracassa em ser minimamente criativo. Pelo jeito os fãs terão que continuar voltando ao clássico de McTiernan se quiserem se divertir com o alienígena com o conceito mais criativo do cinema norte-americano…

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