Review: “Han Solo: Uma História Star Wars” de… Ron Howard?

Nunca antes um filme Star Wars gerou tantos problemas para render algo… Tão pouco divisivo, digamos assim. Pois o lançamento spin-off anterior, “Rogue One”, teve lá seus problemas na produção, mas foi muito bem recebido. E, até onde se sabe, ninguém ouviu falar nada de errado com as gravações de “A Ameaça Fantasma” ou “Os Últimos Jedi” e estamos até hoje discutindo se eles são ou não a pior coisa já feita pela humanidade. “Han Solo: Uma História Star Wars” foi dirigido inicialmente por Phil Lord e Christopher Miller, antes da presidente da LucasFilm, Kathleen Kennedy, os demitir por eles não estarem seguindo o roteiro de Lawrence Kasdan. Ron Howard foi chamado para substituí-los e, aparentemente, regravou metade da produção. O orçamento estimado em US$ 250 milhões deixa isso evidente.

E cá estamos, com o primeiro Star Wars efetivamente genérico. E isso não chega a ser uma crítica, necessariamente. Sim, gostei mais de “Han Solo” do que de “Os Últimos Jedi“. Que coisa, não? Mas, em se tratando de Star Wars… Um genérico basta?

“Han Solo” mostra como Han ganhou seu Solo – literalmente – com o jovem futuro-herói tentando fugir de seu planeta natal com sua namorada, Qi’Ra. Após uma fuga inicial de sabe-se lá da onde para lidar com um chefe de nem lembro do quê, o moço consegue escapar se alistando para o Império. E prometendo voltar para resgatar a mocinha, claro. Ele acaba esbarrando – literalmente – em um grupo de mercenários e resolve virar um. E, quando seu primeiro trabalho não dá muito certo, tem que acertar contas com um malvadão do mal que, veja só, que coincidência, tem Qi’Ra como sua associada.

A história de “Han Solo” é das mais lineares e simplórias possíveis, até para o padrão Star Wars. A seu favor, o roteiro foca no desenvolvimento do protagonista e isso funciona muito bem. Quem acha que Star Wars não precisa sempre ser sobre uma guerra nas estrelas (atenção ao fenomenal paradoxo) o jeitão Sessão da Tarde do filme pode agradar. É apenas uma história de aventura com um protagonista interessante e seus companheiros pouco memoráveis por alguns cenários criativos e uma boa dose de impressionantes cenas de ação.

Uma nota para a fotografia monocromática do filme.

Contra a produção existe a sua absurda mediocridade. O filme é bem feito e divertido, mas não faz nada de novo com absolutamente coisa alguma do Universo Star Wars. E estamos falando de uma galáxia inteira para explorar! Todos os personagens são familiares, todas as reviravoltas são previsíveis e, por mais visualmente interessante que seja a cena da Kessel Run, não passa de mais uma sequência da Millenium Falcon fugindo de Tie Fighters. Os asteroides e a repetição da trilha de “O Império Contra-Ataca” reforçam a familiaridade. E no final de contas, a quem culpar? Estariam Phil Lord e Christopher Miller fazendo algo diferente… Ou apenas ruim? Kathleen Kennedy sabe o que está fazendo quando demite alguém, acredito eu. Ron Howard, diretor de vasto currículo (e um Oscar) recebeu um presente de grego. Fez um trabalho apenas medíocre ou salvou um fiasco? Difícil dizer até lançarem um documentário sobre a produção que tem chances de ser mais memorável que o resultado final em si.

Curioso que o aspecto mais fascinante de “Han Solo” sejam seus bastidores. O filme, apesar de competente e divertido, acerta em tudo que “A Ameaça Fantasma” ou “Os Últimos Jedi” erraram. Mas ninguém vai debatê-lo quando terminar de assistir. Acredito eu que fãs de Star Wars preferem o arriscado do que o absurdamente familiar, vide que ninguém teve que fazer ensaios de vídeo defendendo ou acusando “Han Solo” de nada.

Quem não tem cão…

O elenco é liderado por Alden Ehrenreich (de “Dezesseis Luas”), tendo a impossível missão de substituir Harrison Ford no auge de seu carisma. O moço se sai muito bem, até! Claro, não é nenhum Ford e ninguém vai chamá-lo de Han Solo – muito menos Indiana Jones – no futuro. Mas cumpre seu papel de carregar o filme. Sua namoradinha Qi’Ra é a sem graça Emilia Clarke (ainda não a perdoei por sua versão de Sarah Connor em “O Exterminador do Futuro: Gênesis“), sendo bastante sem graça, para variar. Woody Harrelson é Woody Harrelson fingindo ser Becket, um espécie de mentor para Han. Donald Glover é Lando Calrissian, mas uma versão boba do personagem criado por Billy Dee Williams. Paul Bettany é um vilão que não ameaça ninguém pois todas suas cenas são no mesmo cenário. Thandie Newton é Val e Joonas Suotamo o Chewbacca – papel que ele recebe desde “O Despertar da Força” substituindo Peter Mayhew da trilogia original.

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