Review: “Beirute” de Brad Anderson

“Beirute” se passa na cidade de Beirute (mas não diga?!), capital do Líbano, que até os anos 1970 foi um grande centro econômico da região leste do Mediterrâneo. O filme começa em 1972, mostrando a capital no auge de sua riqueza e glamour. Mas as coisas mudaram rapidamente após uma Guerra Civil que, não só devastou prédios, mas dividiu a cidade em inúmeros guetos – hoje ela segue separada entre o oeste cristão e o leste muçulmano.

Mason Skiles é um diplomata americano baseado na cidade. Em uma festa em sua casa, um acidente ocorre por conta de um personagem chave – e a partir daí a história da cidade muda completamente. Após o trauma, Skiles volta para os EUA, onde passa os próximos dez anos. Mas em 1982 é contactado pela CIA após o sequestro de um amigo seu e pelos sequestrados terem exigido que ele realizasse a negociação. Relutante em retornar a Beirute, ele vai em nome da amizade. E, em uma cidade que ele já não reconhece mais, onde suas memórias se tornaram ruínas, ele tem que encontrar uma forma de negociar novamente.

“Beirute” é escrito por Tony Gilroy, famoso pelos roteiros da série Bourne – ele inclusive dirigiu o fraquíssimo “O Legado Bourne“. Mas aqui seu texto segue muito apropriado. Qualquer um preocupado com a velha “americanização da política” pode relaxar um pouco. Sim, os norte-americanos (como sempre!) salvam o mundo no final. Mas “Beirute” não pinta a CIA como um exemplo de competência, Washington como incorruptível, israelitas como adoráveis amigos do ocidente ou a OLP como absolutos terroristas e ponto. A corrupção está em todos os lados e segue como marco central para uma das bagunças no território libanês. Talvez o único herói da história mesmo seja Skiles – mas ele é ficcional. O contexto político é real (com repercussões que duram até hoje) e Gilroy pinta tudo de maneira bem moderada.

Mas ágil, também. “Beirute” é um thriller de espionagem das antigas, mas tem ritmo. Joga toda a informação política ao espectador, mas deixa ele fazer as conexões sozinho. E vai rolando a trama em nível frenético. Se existe algo de ruim na agilidade da narrativa é que o personagem de Skiles poderia ser mais bem desenvolvido durante os dois atos finais. Mas ele tem seu contexto muito bem definido de início e o ator Jon Hamm faz um ótimo papel em montar as dores do herói a partir disso. Dizer que ele carrega cada cena com força não irá surpreender ninguém que tenha acompanhado “Mad Men”. Mas Hamm merece um destaque a parte por continuar desenvolvendo o psicológico de seu personagem mesmo quando a edição parece ter desistido disso.

A direção é de Brad Anderson, que geralmente trabalha para a televisão (recentemente dirigiu alguns episódios de “Titans” e “The Sinner”), mas seu trabalho mais famoso em longa-metragem foi em 2004 com o thriller “O Operário”. Aqui ele demonstra ter boa agilidade e mantém o fio da meada, enquanto dá espaço aos atores para trabalharem o texto. Ele também usa cores de maneira muito interessante em inúmeras cenas – algo a se destacar também seria o trabalho da fotografia de Björn Charpentier. Vai ver tentativas de captar um pouco das cores da cidade real, já que as filmagens ocorreram no Marrocos – roubando um pouco da autenticidade visual de um filme que, né, convenhamos, leva nome de uma cidade. “Beirute” também não contou com nenhum ator libanês no elenco, o que me parece um erro.

O restante do talentoso elenco conta com Rosamund Pike (eterna Bond Girl, mas que brilhou ainda mais em “Garota Exemplar”), competente como uma incorruptível agente da CIA. Dean Norris (com uma peruca que você não o reconhecerá de “Breaking Bad”) é um agente da CIA menos incorruptível.  Larry Pine, Mark Pellegrino e Shea Whigham completam os coadjuvantes de morais questionáveis.

 

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