Review: “Venom” de Ruben Fleischer

Venom é um vilão do Homem-Aranha popularizado nos traços Todd McFarlane numa época dos quadrinhos do aracnídeo em que ele estava passando por uma fase… Rebelde… Digamos assim… Para os padrões anos 90, ao menos. Muitos super-heróis tiveram sua fase sombria nessa década, muito bem marcada pelo arco “A Queda do Morcego” do Batman. No caso do Homem-Aranha foi sua fase Roupa Negra, que foi o ponto de partida para a criação do vilão Venom. Que, nada mais, nada menos, era um Homem-Aranha nada politicamente correto. E, claro, nos aos 90, isso deu certo, por que ô década marrentinha, viu? E o vilão inevitavelmente migrou para anti-herói e passou a ter seus próprios quadrinhos.

E eis que cá estamos, muito tempo depois e Venom ganha seu primeiro filme. É para ignorar “Homem-Aranha 3”, o que é difícil, eu sei, por que aquilo lá foi inesquecível! Mas finge, só um pouco.

Eddie Brock é um jornalista investigativo relativamente famoso (as pessoas reconhecem ele no bar, ao menos) que recebe a oportunidade de entrevistar o Elon Musk, quer dizer, Carlton Drake, um bilionário que quer explorar o espaço para fugir do futuro previsto em “Interestelar”. Drake é surpreendido com uma pergunta inconsequente de Brock – apesar do jornalista ser famoso e ter esse estilo mesmo – e resolve se vingar dele fazendo ele perder o emprego, a namorada e o apartamento (como?). Brock resolve se vingar de Drake invadindo seu laboratório, até encontrar um simbionte alienígena que resolve usá-lo como hospedeiro.

Essa sinopse parece simples, mas isso tudo acontece em mais de 30 minutos de filme e, ainda assim, dá para ficar perdido. O primeiro ato de “Venom” tem uma edição tão caótica que fará você sentir saudades de “Esquadrão Suicida”. Tudo começa com uma cena dos tais alienígenas chegando na Terra e uma equipe de Drake resgatando alguns deles. Mas um consegue fugir e sai passeando pelo mundo mudando de hospedeiro em diversas cenas – no espaço de SEIS MESES em que a já mencionada sinopse se desenrola. Também somos introduzidos à namorada de Brock, aos conflitos pontuais temáticos do protagonista, às tentativas de controlar os simbiontes com Drake, por aí vai… Um monte de coisa acontece ao mesmo tempo e nenhuma tem relação com a outra.

Nem Tom Hardy parece ter entendido o roteiro.

Piora o fato do filme ser todo sério enquanto narra toda essa baboseira. Aí Brock se torna Venom e, de repente, vira comédia? Difícil entender o que o roteiro (escrito por três pessoas diferentes) estava querendo no segundo ato. Pois quando, finalmente, a história parece se alinhar num mesmo ponto, ela muda de tom. Venom, como herói, é um palhaço – e Brock, como alterego, é praticamente louco. E, claro, tudo isso é tratado com leveza e diversão. E até funciona um pouco (quando Venom está em cena o filme entretém), mas é como se nada daquela bagunça inicial tomasse forma. E quando, finalmente, chegamos no clímax, tudo vira a tradicional mistureba de efeitos especiais alucinógenos. Que terminam com uma conclusão tão abrupta que parece que ficaram faltando uns 20 minutos de filme.

O filme é dirigido por Ruben Fleischer, que fez “Zumbilândia”, então tem uma certa compreensão de humor politicamente incorreto. “Venom” talvez quisesse buscar isso, se inspirando nas origens dos quadrinhos, mas Venom – o vilão – nunca foi engraçado. Tosco, talvez, mas não um palhaço. Então difícil entender o que Fleischer estava buscando nessa história. A sua visão é completamente embaçada. “Venom” em muito me lembrou seu último filme, “Caça aos Gângsteres”, tanto em sua péssima condução narrativa como falta de tom ao misturar humor com drama.

As cenas de ação tem toques de Transformers na falta de sentido.

Alguém que se salva na bagunça é Tom Hardy. O bom ator de “O Regresso” e “A Origem”, que já interpretou um bom vilão no Bane de “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, tem a mais absurda atuação de sua carreira. E isso funciona! Por que se “Venom” não sabe o que quer, ao menos Hardy sabe não saber o que quer direito! Seus momentos de loucura dialogando com o alienígena são muito bons e ele tem inúmeras cenas que beiram o improviso de tão absurdas que são ruas reações. Quem parece também entender que não está em um filme bom é Michelle Williams (“Manchester à Beira-Mar”), talentosíssima atriz, aqui atuando como se estivesse fazendo uma comédia charlatã. Se lhe derem papel maior em uma sequência, acho que ela tem potencial para fazer algo maravilhosamente tosco como a Hera Venenosa de Uma Thurman em “Batman & Robin”.

O vilão Drake é vivido por Riz Ahmed (“Rogue One”), que parece só ter recebido o roteiro onde “Venom” foi escrito para ser sério – em contraposição a Williams, que deve ter recebido o roteiro concebido como baboseira. E fique atento a Woody Harrelson, aparecendo ao fechar das cortinas como um cameo tremendamente previsível, já deixando bem claro que tem tudo para fazer Hardy parecer comedido no próximo filme.

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Uma resposta para Review: “Venom” de Ruben Fleischer

  1. Life Style disse:

    Mesmo ontem a noite vi esse filme! Muito bom!

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