Review: “Homem-Aranha no Aranhaverso” de Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman

O Homem-Aranha já passou por inúmeras adaptações em mídias audiovisuais, de alguns videogames a vários desenhos animados de televisão, passando por uns seis filmes live-action com três atores diferentes no papel. Mas, além disso, ele também já foi interpretado ao longo de décadas por inúmeros artistas dos quadrinhos, alguns seguindo a criação original de Stan Lee e Steve Dikto – o simpático nerd Peter Parker – e outras inúmeras variações do mesmo conto. Ei, se a Chapeuzinho Vermelho pode ser reinterpretada, por que não o amigo da vizinhança?

“Homem-Aranha no Aranhaverso” não só é a primeira animação em longa-metragem do personagem, como também resolve fazer uma mistura nessas inúmeras interpretações. Acompanhamos Miles Morales, personagem introduzido no universo Ultimate dos quadrinhos em 2002, um jovem adolescente que – assim como Peter Parker, que também existe aqui – é picado por uma aranha radioativa. Ao tentar investigar a origem da tal aranha, ele acaba encontrando o próprio Homem-Aranha em si enfrentando o Duende Verde e o Rei do Crime, que pretendem usar uma máquina para abrir um portal para outras dimensões. Após um acidente, inúmeros personagens que também foram picados por aranhas radioativas em seus universos acabam aparecendo. Cabe a esse bando de Homem-Aranha se unirem para trazer ordem de volta ao universo de Morales.

Morales tem seus próprio arco, que é muito similar ao dos quadrinhos: não pediu para ter os poderes, mas acaba assumindo a responsabilidade de se tornar herói após a morte de um personagem importante (e não, não é o Tio Ben…). Peter Parker também tem que aprender algumas coisas e irá precisar de Morales para isso. A história dos dois rende um gancho interessante: para fazermos alguma coisa, precisamos simplesmente fazer, e não ficar esperando “estar pronto” para isso. Pode parecer um tremendo clichê que você leria em um post de Facebook citando uma bela fala da Carrie Fisher, mas o ensinamento é verdadeiro e o fato do roteiro colocar os dois personagens centrais para aprender a mesma coisa foi uma escolha tremendamente madura. O texto é de Phil Lord (“Uma Aventura Lego”) e Rodney Rothman (que roteirizou “Anjos da Lei 2” e aqui também assina a direção).

Os outros Homem-Aranha passam por variações diferentes e servem como contraponto a um outro ensinamento do filme: que Miles Morales não é único, portanto não está sozinho. O texto amarra isso ao mostrar Parker, na introdução, exaltando como é legal por ser Homem-Aranha – e só ele é o Homem-Aranha! Morales aprende algo muito mais valioso e que ecoa muito mais ao tom original da ideia que Lee e Dikto tiveram nos anos 60: que qualquer um pode ser um herói (inclusive um estudante nerd!), basta querer fazer o bem. O fato do filme mencionar isso nos créditos, em homenagens aos artistas criadores – ambos faleceram em 2018 – reforça que o roteiro desta animação entende muito mais sobre Homem-Aranha do que todos os outros filmes live-action anteriores juntos.

Além do bom texto que amarra muito bem seus personagens, o visual da animação merece inúmeros elogios. Emulando o visual dos quadrinhos, com uma edição ágil e eclética, sem nunca ficar completamente absurda (apesar de quase correr o risco disso no clímax), “Homem-Aranha no Aranhaverso” é uma das animações mais visualmente criativas em muitos anos. Se você se cansou do padrão Disney/Dreamworks de CGI cartunizado preso ao estilo “Toy Story”, terá muito que apreciar aqui. Além de Rothman, a direção também conta com Peter Ramsey (“A Origem dos Guardiões”) e Bob Persichetti. A forma como algumas versões do Homem-Aranha (sem spoilers) são interpretadas com seus próprios traços ficou muito legal.

O elenco de dubladores conta com Shameik Moore como Miles Morales, Jake Johnson como Peter Parker, Hailee Steinfeld como Gwen Stacy, Lily Tomlin como a Tia May, Zoe Kravitz como Mary Jane, Mahershala Ali como o tio de Morales, Kathryn Hahn como a Dra. Octopus e Liev Schreiber como Rei do Crime. Nicolas Cage e Chris Pine também emprestam suas vozes para versões do Homem-Aranha (evitarei spoilers).

 

Esse post foi publicado em Filmes, Reviews e marcado , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Comente aqui...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s