Review: “Homem-Aranha: Longe de Casa” de Jon Watts

Incrível o que alguns anos fazem, não? Apesar deste ser apenas o segundo filme do Homem-Aranha protagonizado por Tom Holland, o moço já apareceu no papel em um episódio do Capitão América e dois Vingadores – essencialmente marcando esta sua quinta aparição no papel em, acredite se quiser, apenas três anos. Portanto não se surpreenda se “Longe de Casa” tiver menos em comum com a euforia de retorno de “Homem-Aranha 2” e mais com o cansaço repetitivo de “Homem-Aranha 3”. Entretanto, uma notícia boa: Mysterio salva o dia!

O filme começa após o eventos de “Vingadores: Ultimato” e faz logo questão de explicar que tudo que aconteceu entre aquele filme e o Homem-Aranha antecessor (“De Volta para Casa“) é irrelevante e Peter Parker ainda está na escola. Nada mudou. Uau, fascinante a facilidade que o roteiro pede para você desprezar filmes assistidos… Enfim, a história segue, Peter está a fim de MJ (que não se chama Mary Jane, mas ignore) e para a sorte dele uma viagem escolar pela Europa lhe dará a oportunidade de declarar seu amor. Só que uma nova ameaça aparece e Nick Fury resolve chamar o Homem-Aranha por que todos os outros Vingadores não está disponíveis – a sinceridade com o qual a Marvel escolhe ignorar a Capitã Marvel é esquisitíssima; “Não fale o nome dela”, ok.

Para ajudar Parker surge um tal de Mysterio, que veio de uma Terra alternativa e precisa derrotar quatro monstros elementais. Se você é fã dos quadrinhos, conhece Quentin Beck e sabe muito bem onde isso vai levar; mas pelo bem de evitar spoilers, paremos por aí. Homem-Aranha e Mysterio se unem para enfrentar os vilões por locais turísticos da Europa enquanto Peter Parker precisa se virar para lidar com as pressões sociais de flertar com a garota que ele gosta. Que evidentemente gosta dele também, mas aceito o conflito em prol da excelente atuação de Zendaya como garota que gosta de alguém e finge não gostar.

A história tem boas revelações que movimentam a trama – uma importante ocorre ao fim do primeiro ato e o público da minha sala de cinema ficou REALMENTE surpreso, mas quem é fã dos quadrinhos não se chocará. A relação de Peter com MJ é secundária, mas funciona. Termina exatamente como você acha que irá terminar, mas para nossa sorte o roteiro foca muito mais na relação entre Homem-Aranha e Mysterio. Pois Mysterio, um dos melhores vilões que o herói tem nos quadrinhos, recebeu uma interpretação diferente aqui e, não só funciona muito bem para inovar o personagem, como movimenta a trama de uma maneira muito legal. Fora isso, nada que acontece é novo. Como dito antes, “Longe de Casa” está mais para o quinto filme de uma série do que o segundo. Fora a inovação das locações europeias (o personagem só saiu de Nova York uma única vez antes), tudo na história é muito mais do mesmo. Apesar de eu considerar este um filme melhor que o anterior, mais pelo fato de Mysterio carregar a trama para reviravoltas interessantes, a tentativa de não sair do lugar me incomodou um pouco aqui.

Uma pena, pois o diretor Jon Watts, que não me chamou atenção no seu trabalho anterior, melhorou. Os momentos de ação estão muito interessantes e existe ao menos uma cena com Mysterio que é realmente criativa visualmente. Só que faltou um pouco mais de inovação. Pode parecer demais exigir isso de um suposto “segundo episódio”, mas vale lembrar: este é a quinta aparição de Holland no papel e o sétimo filme solo do herói, sua décima primeira aparição nos cinemas desde 2002. O Homem-Aranha merece um pouco mais de ousadia. Seguindo isso após a brilhante animação “Homem-Aranha no Aranhaverso“, fica bem claro que apenas a preguiça impede a equipe criativa de ir além no live-action.

Como já citado, Tom Holland retorna no papel e se esforça no que pode. Ele tem talento e se sai muito bem, mas enquanto não lhe derem algo além para fazer, parece que ele segue no modo automático. Uma pena, o potencial está lá. Jake Gyllenhall vive Mysterio, sem dúvida se divertindo muito bem em um papel feito para ser divertido. Zendaya é a MJ que não é Mary Jane por que a Marvel ficou com receio de não ter uma atriz ruiva no papel? Sei lá, vai entender, mas ela tem um carisma forte e ajuda muito nas cenas que precisa de uma boa atriz para elevar o material. Marisa Tomei é a Tia May e segue subutilizada, um desperdício. Samuel L. Jackson vive Nick Fury pela enésima vez. Jon Favreau retorna como Happy Hogan em seu maior papel na franquia Marvel desde o primeiro Homem de Ferro. E fique para a cena pós-créditos iniciais para ver o retorno de um personagem que os fãs irão simplesmente adorar.

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