Review: “The Legend of Zelda: Link’s Awakening” para Switch

Lançado no longínquo ano de 1993, quando “I Will Always Love You” começava o seu domínio nas rádios (e acho que nunca mais saiu), “The Legend of Zelda: Link’s Awakening” foi um marco importante para o Game Boy. Mostrou que o primeiro portátil da Nintendo, ainda em seu formato preto-e-branco, era capaz de lançar jogos com jogabilidade similar aos clássicos do NES e Super Nintendo. Claro, ninguém iria comparar diretamente “Link’s Awakening” com seu antecessor, o arrebatador “A Link to the Past” lançado dois anos antes. Mas o pequeno notável fez milagre e ganhou fãs. Recebeu uma versão colorida que melhorava muito a experiência (e pode ser baixado no Virtual Console do 3DS hoje em dia) e ficou ainda mais popular.

Agora estamos em 2019 e o mundo mudou muito. Vai lá, conta para o você de 1993 que fascismo iria voltar a se tornar popular – se você assistiu ao lançamento original de “A Lista de Schindler” naquele ano, dificilmente iria acreditar. Mas cá estamos! Para celebrar as mudanças, a Nintendo resolveu não mudar e fazer um remake do clássico de Game Boy, com novos gráficos e basicamente nada mais. E funciona.

“Link’s Awakening” se joga muito como um jogo dos anos 90 mesmo. Claro que o Switch, que tem mais botões que o Super Nintendo, permite ao jogo uma leveza de movimentos maior. Itens podem ser administrados com facilidade, Link se movimenta em mais ângulos e o mapa não é totalmente dividido quadro a quadro. Mas, de resto, é um jogo tremendamente fiel ao que foi produzido antes. Jogar “Link’s Awakening” depois da revolução de “Breath of the Wild” deveria ser um choque. Mas até que não! Curiosamente, a maior força do jogo está na sua simplicidade. E isso não é apenas uma questão de nostalgia (claro que jogar um videogame pronto, acabado, sem loot boxes ou season pass ou road map parece um luxo!) e sim de celebração da pureza. Pois “Link’s Awakening” ainda parece um jogo moderno, apesar de ser remake e repetir regras de uma franquia que as jogou fora tem nem três anos atrás. Afinal não existe nada mais moderno que qualidade e, nesse ponto, a Nintendo foi inteligente em revisitar um clássico tão simples.

Pois alguns remakes necessitam ser atualizados, tendo suas versões originais reproduzido padrões perdidos no seu tempo. Assim como uma refilmagem de “Nasce Uma Estrela” não precisa repetir o padrão de um musical dos anos 50, um remake de “Resident Evil 2” com câmera fixa e controle em forma de tanque iria ficar meio preso a uma bolha temporal. “Olha isso aqui igual, só que mais bonito!” Pois “Link’s Awakening”, o de 1993, tem a vantagem de não ser um jogo preso a seu tempo. A série Zelda pode ter mudado sua fórmula, mas outros jogos ainda a seguem. A visão de cima ainda é utilizada em sucessos indies. Reproduzir esse modelo em 2019 não parece tão esquisito ou fora do tempo. De fato que “Link’s Awakening” é apenas “mais bonito” que o original, mas a adaptação funciona tão bem por que a fórmula resiste.

E pode parecer um review esquisito isso, mal falo do jogo… Mas aí é que está, falar o que? É um Zelda dos anos 90. Você procura dungeons, resolve enigmas temáticos, encontra um item, mata o chefão, usa tal novo item para acessar novas áreas, procurar a próxima dungeon e repete isso 7 ou 8 vezes. O sistema de combate é simplérrimo, os inimigos tem seus ataques únicos e praticamente só repetem isso, os cenários seguem o padrão planície, lago, deserto, pântano, montanha. As inúmeras sidequests são bem distribuídas e o jogo tem muitos segredos muito bem escondidos. Se você já jogou “A Link to the Past” ou “A Link Between Worlds“, sabe muito bem o que irá encontrar.

Uma simples comparação.

O principal diferencial, claro, estão nos gráficos. E aí faltam palavras para descrever o charme do estilo empregado nesse remake. Tudo é muito colorido e cheio de detalhes. As animações, a iluminação, os efeitos de sombra, cada cantinho do jogo recebeu uma atenção específica. O mapa não é muito extenso (lembre, isso já foi um jogo de Game Boy!) o que permitiu aos desenvolvedores focarem nos detalhes. E isso foi feito com tremendo respeito ao original, inclusive. Ao invés de ser um remake “aquilo que você adora, só que ainda maior!!”, a desenvolvedora Greezzo focou em “aquilo que você adora, só que ainda mais adorável!” A recomposição das músicas também merece destaque.

E para não dizer que não tem nada de novo, a Nintendo incluiu um simples “dungeon maker” em que você pega salas retiradas das dungeons do jogo e cria seus próprios modelos. Alguns desafios nesse modo exclusivo são interessantes e permitem a você experimentar um pouco, mas a ferramenta é limitada (não imagine nada minimamente próximo do nível de “Super Mario Maker”) e fica presa as suas criações, já que não tem como você trocar fases com outros jogadores. A não ser que você tenha amigos que se deem ao trabalho de salvar seus mapas em seu amiibo e levar para a tua casa. Fora isso, nada de demais. Mas como extra, serve para entreter por algumas horas.

Fofura alert!

Mas a verdade é que quem irá jogar “The Legend of Zelda: Link’s Awakening” o fará pelo jogo em si, não por qualquer brinde além. E fica visível que o foco foi em produzir uma versão muito redondinha de um jogo que já era memorável o suficiente. Raramente remakes são tão fiéis assim (a indústria de videogames gosta de inventar quando recria algo, o que não chega a ser uma decisão ruim) e ainda assim conseguem encantar como uma experiência nova. Um teste da longevidade do clássico original. Um título tão duradouro quanto Whitney Houston embalando “I Will Always Love You” nas rádios.

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