Review: “Star Wars – Episódio IX: A Ascenção Skywalker” de J.J. Abrams

Ok, isso vai dar trabalho. Não bastasse “A Ascensão Skywalker” ser a conclusão de uma trilogia, que é a conclusão de uma trilogia de trilogias, ainda teve que ser sequência de “Os Últimos Jedi”. Oh não! Pois já tivemos muitos filmes Star Wars por aí, e alguns bastante menosprezados, mas nenhum discutido no nível que o “Episódio VIII” foi. Talvez alguns tenham mais facilidade de serem chamados de pior, como “Episódio I” que virou pária cultural eterna, mas ao menos esse será apenas lembrado como uma decepção muito grande ou algo muito ruim. “Os Últimos Jedi” foi divisivo! Teve quem amou, teve quem odiou! Eu deixei bem clara minha opinião na minha resenha original e ainda acho que muito do que disse dois anos atrás tá valendo. Mas aí sobra para “A Ascensão Skywalker” tentar agradar a esse pessoal todo que amou e odiou o mesmo filme tudo junto.

E, evidentemente, as decisões são complicadas. Veja só, não me coloco no grupo do pessoal que odiou “Os Últimos Jedi” (só achei bem fraco) e não acho que aquele filme errou em algumas decisões narrativas. O que eu acho é que algumas decisões narrativas não foram bem narradas na própria história, resultado de um roteiro mal amarrado e, no final das contas, bem entediantes. Mas as decisões fora tomadas e o que J.J. Abrams e Chris Terrio resolveram fazer na hora de escrever o texto da sequência? Ah foda-se tudo, o Imperador voltou! Oi?

Pois é exatamente assim que “Episódio IX” começa, já no letreiro inicial. “Os mortos falam!”, Meu Deus tive que gargalhar ao ler isso. O filme começa falando que o Imperador ressuscitou via texto! Sim, o vilão da trilogia original, que morreu sendo jogado em um poço e explodiu junto com a Estrela da Morte, na verdade tá vivo sim por que sim, olha ali, tá escrito, precisa explicar não! E quando o filme começa em si, já somos jogados a Kylo Ren matando um monte de sei lá quem, pulando para um novo planeta, encontrando o Imperador, descobrindo a origem do ex-Supremo Líder Snoke (lembra dele?) e descobrindo que sua rival Rey tem um segredinho a mais. Tudo isso em cinco minutos de filme!

Qual o problema disso? Bem, parece que “A Ascensão Skywalker” não é sequência de “Os Últimos Jedi”. Não que ignore os eventos ocorridos no episódio anterior, mas os trata com tamanho desprezo que até parece querer ignorá-los.  Até o retorno de Luke Skywalker (não é nenhum spoiler dizer que Jedi morto volta como fantasma nessa série) é tratado de maneira tão trivial que chega a ser bizarro perceber como o Skywalker central da chamada Saga Skywalker recebe cinco minutos de cena no último filme que se chama “A Ascenção Skywalker”. Sinceramente, a decisão de ressuscitar o Imperador carrega tanto a trama que podemos muito bem chamar esta de a Saga Palpatine, por que o cara tava presente em todas e enganou umas três gerações de Skywalker. Um protagonista, sem dúvida!

Para algo que EXPLODIU três filmes atrás, a Estrela da Morte tá bem inteirinha.

“Os Últimos Jedi” pode não ter me agradado, mas foi um filme que existiu e merecia ser continuado. Encerrou tratando Kylo Ren como o vilão principal da nova trilogia, não um tal Imperador que já tava morto. E legal Rey perceber que ela não precisava ser alguém para ser alguém, mas péra aí que agora ela quer ser alguém novamente. De uma certa forma, “A Ascenção Skywalker” parece querer voltar a certos temas de “O Despertar da Força” e acaba enchendo o nosso saco com uma história que parece ser um retrocesso na saga, não um clímax. Em sua defesa, a menos a narrativa é fácil de acompanhar, tendo poucas histórias paralelas – ao passo que também relega Finn e Poe a serem apenas acompanhantes de Rey em sua jornada, ao invés de personagens ativos na narrativa – e as cenas de ação são interessantes. Já o clímax, uma épica batalha espacial, é pouco empolgante e o confronto final entre Rey e Palpatine é muito bocó. Parece que o texto de Abrams e Terrio quis emular a conclusão de “O Retorno de Jedi” e não conseguiram. Talvez seja culpa de estarmos no nono episódio dessa aventura. Meio que já deu, sabe? O que esperar de novo?

J.J Abrams volta a direção após ter acertado em cheio com “O Despertar da Força”. Que início promissor teve essa trilogia, que decepção foram os episódios seguintes… Mas enfim, ele segue sendo um bom diretor, induz boas doses de humor (conseguiu botar até o C-3PO para ser divertido!) e caminha as cenas de ação com eficiência. Só não faz nada de novo, novamente, e amarra um final muito mal amarrado, tentando concluir a saga só por concluir, por que o contrato dos atores se encerrou e ninguém aguenta mais. É tudo jogado na tela de maneira tão automática e careta que só não dá para dizer que o filme não tem alma por que, ao menos, é bem intencionado. Dá uma conclusão emocionante ao conflito entre Leia e seu filho Kylo Ren e mostra a importância da esperança na hora de enfrentar fascistas do espaço. Lição que serve para fascistas terrestres também, agora que eles voltaram a ter popularidade.

O elenco é encabeçado por Daisy Ridley como Rey, fazendo o seu melhor. Carismática ela é e tem forças para carregar um filme inteiro. Mas não espere nenhum milagre. Adam Driver continua se saindo muito bem como o vilão mais interessante da série. Oscar Isaac e John Boyega, excelentes promessas do “Episódio VII”, acabam chegando a lugar nenhum. Mas ao menos seguem divertidos. Mark Hamill volta pela última vez como Luke Skywalker fantasminha, usando uma peruca horrível. A falecida Carrie Fisher também retorna, pois teve cenas reutilizadas de “O Despertar da Força” para dar uma conclusão a icônica Leia Organa. Claro que as cenas demonstram que os diálogos são colagem de outras coisas, mas funciona. E é legal que tenham dado a ela uma oportunidade de aparecer uma última vez na saga que ela ajudou a transformar em fenômeno.

Keri Russell aparece como… Alguém… Que faz algo em duas cenas. Sei lá, muito forçada a sua participação. Billy Dee Williams também tem pouquíssimo a fazer em seu retorno como Lando Calrissian. Kelly Marie Tran retorna como Rose, mas sem enredo algum, apenas tá lá para figurar na história. Domhnall Gleeson retorna como o fascistinha Hux e é acompanhado de Richard E. Grant na Primeira Origem. Por último temos o maravilhoso Ian McDiarmid como o Imperador Palpatine. É sempre bom vê-lo nesse divertido papel, mas não espere muito. Ele não vai roubar nenhuma cena como o fez em “Episódio III”.

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